Páginas

domingo, 4 de agosto de 2013

Pior irmã do mundo

De tempos em tempos dou-me conta de que já desfiz a maior parte do elo que me une á única pessoa de quem jamais na vida posso me separar. Já perdi as contas das mágoas que causei em teu peito, estas mesmas que me levam o sono e corroem minhas entranhas de remorso noite á dentro. Como posso amar tanto alguém que só sei ferir? Corro como posso, destrambelhada em meus próprios sentimentos, tropeçando em atitudes que me assombram, em decisões que me envergonham, mas que não posso voltar atrás. E nesse meu embaralho de não saber lidar, desloco minhas reações tentando moldar-me ao que te machuque menos, acabo te estraçalhando em pedaços que não posso mais juntar. Se tu tivesses ideia, guria, do amor que por ti carrego, tentarias ser menos turrona com essa irmã que, na tentativa de fazer a coisa certa, acaba sempre errando mais e se perdendo no desespero profundo que é te perder. Por ti eu aguentaria o peso do mundo, deixaria minha loucura de lado para tratar da tua, esqueceria minhas feridas para poder te curar. Eu sei que tenho sido mais torta do que nunca, mas por mais inacreditável que seja, durmo e acordo pensando em mil maneiras de melhorar as coisas. Não pense que eu não sei ou me esqueci que não há pessoa no mundo que ocupe um lugar maior em mim, e por mais desvairado, inconsequente e irresponsável que o meu amor seja, ele é sincero e enorme. Não é o simples fato de termos compartilhado da mesma barriga que engrandece meus sentimentos, foi o teu amor quem fez a parte boa que me habita. Foste tu, com todo o teu destrambelhamento e orgulho, que me amou e me criou desde o princípio. Não gosto de pensar no que eu poderia ter me tornado se tu não estivesse ali o tempo todo para curar minhas feridas, aplaudir minhas vitórias e colocar um band-aid no meu joelho e no meu coração sempre que possível. Nós passamos a vida toda ao lado uma da outra e não consigo acreditar nas coisas que fui capaz de fazer no ápice do meu egoísmo e insanidade. Eu tenho plena consciência de que jamais serei perdoada, de que nada nunca mais será igual e me envergonho da minha covardia diante de tudo isso, da minha incapacidade de ao menos tentar reaver parte do prejuízo que causei. Recolho-me aos aposentos da minha alma suja e mantenho a maior distância possível da tua vida, não porque acho que a casa dos outros é melhor, mas porque acho que a minha casa é melhor sem mim. Não peço perdão porque acho ridículo alguém com meu caráter, alguém que fez as coisas que eu fiz ainda desejar um perdão que não merece. Eu só queria poder te mostrar ao menos uma vez nas nossas vidas o tamanho do amor, admiração, respeito e necessidade que eu tenho de ti, do teu carinho atrapalhado, da tua voz de comando e do horizonte que tu me dá. Eu queria um dia na vida voltar ao dia em que fiz 17 anos e escrever tudo diferente, mudar o script de uma vida incrível que eu destruí. Eu queria poder te pedir perdão sem ter vergonha, reaver ao menos em parte tudo o que eu joguei pela janela sem medir as consequências, eu queria que nós duas deixássemos de ser irmã para tornarmos a ser amigas. Eu queria ainda ser a parte responsável de nós duas numa tarde muito louca de festival e ver o sol se pôr tranquila, para depois voltar para casa e ter de volta a vida pacata de quem tem família, de quem tem irmã.

Nenhum comentário:

Postar um comentário