Páginas

quarta-feira, 20 de março de 2013

Alien funcional

Ele acha que eu vivo em um mundo paralelo por não ver o real, acontece que eu vejo o mundo real, ele apenas não me agrada. Viver no meu próprio mundo evita muitas crises existenciais, não da minha existência, mas da existência alheia. Enquanto eu esperar por pessoas especiais em momentos especiais, terei pelo que aguardar ansiosamente. E mesmo que os julgados especiais venham a me machucar, ao menos é emoção. A intensidade me fascina muito mais do que a longevidade dos relacionamentos. Só que ele acha que por não ver o mundo como ele é, vou sofrer. Acontece que eu seria imensamente infeliz se fizesse as malas do meu "wonderland" particular e me mudasse de vez para esse mundo cinza. O mundo real é decepcionante, é como beber na roda para tornar os amigos que eu não tenho mais interessantes. De vez em quando acordo de manhã e percebo que acordei em uma realidade que se impôs pra mim de forma que eu não possa fugir. Esses dias me dão vontade de chorar, é como estar na ponta de um imenso abismo, esperando pela liberdade do voo sob os olhares atentos de uma multidão sedenta de sofrimento. Eu disse: "não tenho amigos de verdade". Ele disse: "tu não sabes escolher." Mas as pessoas que talvez fossem bons amigos para qualquer um não me são de grande ajuda. A intensidade é algo cativante, não me agradam meios-termos, apesar dos intensos sempre acabarem por magoar a si e aos outros. O problema de se ter um universo particular é a solidão, já que normalmente quando convidamos alguém para entrar, temos nossos convite educadamente recusado, os racionais preferem viver em um coletivo mundo real á ficarem sozinhos. Cada dia que passa me sinto mais como um alienígena funcional vivendo em um universo paralelo porque a vida real é entediante demais. - Baseado em uma conversa entre geminianas.