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sábado, 4 de julho de 2015

3-6-5

Não sei ao certo se foi no dia 6 ou 8 de Julho que meu estômago doeu de ansiedade pela primeira vez, sei que nessa semana faz um ano.
 
      Lembro como se fosse ontem de quando nos conhecemos num festival, lembro que meus olhos umedeceram instantaneamente quando encontraram os dele e lembro também do quanto eu lutei contra o que se inquietou em mim naquele momento.
O destino prega peças na gente, quando eu estava solta no ar, como um grão de poeira que se desprendeu do cosmos, ele entrou sorrateiramente pela porta da gentileza e se instalou em mim, me fez melhor.
Lembro que quando ele desceu do ônibus pela primeira vez, apesar do jeitão extrovertido, estava tímido, não sabia onde colocar as mãos e, apesar do meu jeito tímido, eu o beijei. Eu não cabia em mim de certezas, eu transbordava naquele momento, eu estava tão feliz que nem me importei com o fato de que odeio meus dentes e sorri. Sorri  porque na primeira vez em que o cheiro dele invadiu minhas narinas eu soube que ia ser meu perfume favorito por muito tempo, tudo aquilo que estava adormecido em mim mais do que acordar, despertou. Eu sorri tão profundamente porque, mesmo sem nenhuma explicação lógica para a combinação estranha que somos nós dois, ele fez casa no meu peito no primeiro abraço.
   A partir dali, apesar de saber que estava em território desconhecido e não saberia de nada, eu estava feliz.
Acredito que muita gente ainda estranhe nos ver juntos (tão diferentes!), mas para mim o que importa são as coisas em comum, e a imagem dele é tão natural quanto me olhar no espelho, somos complementares daqueles que geram conflitos em prol de um bem maior. Nos acrescentamos tanto que nossos constantes debates são o que fazem nosso sangue pulsar, e eu amo nossas ideias contrárias. Um ano em que eu aprendi que (todas) ás vezes a felicidade está fora da zona de conforto e que as mil brigas á distância não valem um abraço presencial. Um ano de incontáveis viagens, paisagens, lutinhas em cima da cama e rave. Um ano que devo toda a viscosidade da minha pele e da minha vida a um par de olhos verdes acompanhado de um vão nos dentes e o coração mais bonito (e difícil) que já conheci, daqueles que quando me bota no colo, me faz sentir que nada pode me machucar. O amor nasce das nossas despretensões e foi por não termos expectativas do que aconteceria a seguir, que deu certo. E continua dando.


Um ano de "lindo" e "linda". <3 p="">

domingo, 28 de junho de 2015

Tenho um coração que é meio tonto
E as coisas que moram em mim são labirinto
Onde me faço perder
E não me encontro

Você é mais forte do que eu
Você é mais forte do que eu

E machuca
Os gritos que engoli
Pra vomitar silêncio
São a tua alquimia em mim
Profunda e delicadamente me mudando
Me envenenando, me transformando
Plantando em mim muitas sementes
Provenientes de ti

Você é mais forte do que eu
Você é mais forte do que eu

E se aproveita
Da minha calma, da minha cama
E do profundo desejo que tenho de não brigar
Mas a injustiça me detona
E quando me cobras aquilo que não me doa
Um vulcão nasce em mim

Você é mais forte do que eu
Você é mais forte do que eu

E ser flor não é assim tão fácil
Temos espinhos, as pétalas amassam
E nunca aprendemos a nos defender

Devias ser o espinho que protege
A arma secreta da rosa
O que ela tinha pra se defender
Mas decidiste por ser a ponta mais dolorosa
Da pior ponta da rosa
Do espinho que faz sofrer

Você é mais forte do que eu
Você é mais forte do que eu

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Cada passo, cada mágoa
Cada lágrima somada
Cada ponto do tricô
Seu silêncio de aranha
Vomitando paciência
Prá tecer o seu destino
Cada beijo irresponsável
Cada marca do ciúme
Cada noite de perdão
O futuro na esquina
E a clareza repentina
De estar na solidão

terça-feira, 12 de maio de 2015

Sobre mim

Meu cabelo é selvagem
Porque nunca quis domar
Meus olhos são grandes e atentos
Porque já viram tantas coisas que não querem perder nada
E sabem que precisam ser atentos
Meu nariz é pequeno para que não seja empinado
E nele possam entrar singelamente todos os ares e aromas
que eu puder respirar
Meus lábios são macios e rosados
Mas escondem dentes tortos e acavalados
Para que eu lembre que nem tudo nessa vida é de acordo com as minhas vontades
Tenho orelhas tão pequenas que quase não se acredita em tamanha audição
Meus ombros são curtos e magros, mas já foram o melhor alento para o sofrimento de alguns
Meus seios são escandalosos
Tapo, aperto, disfarço
Serão para sempre o fardo
Por aqueles que jamais me olharão nos olhos
Tenho uma cintura bem fininha
A barriga é magrinha
Mas o estômago ainda vai me matar
cuido dele direitinho
Não como bicho morto, não gosto de comprimidos
Mas ainda assim ele parece me odiar
Minhas mãos são minha parte mais bonita
Pois apesar de serem magras e compridas
São elas que me fazem (me) realizar os sonhos
De escrever, de pintar

sábado, 9 de maio de 2015

?



Algum tempo atrás o que mais preocupava minha vida era o quanto dela eu poderia estar perdendo na situação de rotina em que me encontrava. Refleti, fritei meu cérebro, resolvi mudar. Em uma bela noite de verão, joguei meus planos e sonhos na privada e resolvi reescrever minha história, agregando apenas os pontos que me favoreciam. Deu certo no início, vi e vivi algumas coisas que ainda me faltavam no tradicional currículo adolescente, otimizei muitos espaços antes confusos do meu tempo, mais do que acordar, eu despertei. Despertei para aquilo que me era mais importante no momento: eu, minha felicidade, minhas escolhas.
Acontece que o tempo é maluco com a gente, de repente quando achamos que estamos prontos para viver sem limites, despenca uma caralhada de responsabilidades nas nossas caras que, ou assumimos de vez, ou atestamos síndrome de Peter Pan.
 Acontece que na seleção dos "pontos que me favoreciam", acabei fazendo algumas escolhas erradas, acabei mantendo coisas que estavam me destruindo sem que eu soubesse. E isso me mudou. Decepcionar-se com alguém é muito mais profundo quando estamos falando de amizade, de relações sórdidas de confiança, de amor. Um amigo que morre dentro de nós deixa um gosto azedo na vida, que ressurge toda vez em que pensamos sobre se relacionar. Ver a face real das pessoas põe muitos pingos nos "ís" e nos faz perceber o valor mínimo que algumas relações tem, e por isso abdicar delas.
      No auge do meu brilho, quando achei que chegava ao exemplo vivo de "aproveitar a vida" fui sendo engolida pelo enorme buraco negro que é crescer, sendo mastigada pelo egoísmo universal, pela liquidez da vida, e ao ver todas as cortinas caindo, me fechei.
Eu era muito maior do que sou hoje, porque viviam em mim sonhos, pessoas e ilusões que hoje não vivem mais, amadurecer é também amargar-se com o gosto da vida.
Me sinto profundamente responsável por algo que parece tão incomensurável para que eu carregue sozinha!
Ás vezes optar por algo vai muito além de ser uma escolha única, acarreta um imenso efeito borboleta á frente de nós. Vez ou outra me pergunto se não fiquei muito careta, tenho saudades de algumas aventuras malucas, meu instinto de aventureira está bastante enferrujado nessa vida planejada, a rotina apagou a luz do meu holofote, não vivo mais de modo empírico.
Gostaria de saber, afinal, onde fica a linha tênue entre ser responsável e manter o brilho da incerteza, tudo são etapas. Talvez esse equilíbrio só faça parte de um quebra-cabeças maior, onde me esforço para acertar as peças, ainda que vez ou outra rasgue um pedaço para encaixar.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Sou uma gata bem estranha
Tenho hábitos de aranha
E um silêncio no olhar

Não sou lá das mais fogosas
Mas apesar de orgulha
Gosto de me molhar

Não sou assim muito serena
Mas a consciência tenho plena
Sempre tento melhorar

Mesmo chata sou carinhosa
E quem não gosta de uma gatinha manhosa?
Temos todos que concordar

Me domar não é tão simples
Sou silêncio, mas não brinque
Eu sei morder e arranhar

Pra gostar de mim ter que ser louco
Ter assim um gosto meio torto
E me aturar

Mas a recompensa é sempre boa
Não sou nenhuma atoa
Fui feita para amar


sábado, 25 de abril de 2015







Dentre as piores coisas que fazem os seres humanos, está o amor.

Se deixar amar alguém é entregar-se sem qualquer previsão de se ter de volta, porque quando o outro nos devolve para nós mesmos não é nem de longe com a mesma delicadeza que nos entregamos.
   Num instante estamos embrulhando em seda a melhor parte de nós, no momento seguinte essa mesma parte é arremessada contra nossas cabeças, dispensando o aviso de "frágil" e nos despedaçando de vez. como dói recolher os cacos, um a um, vendo destruído diante de nossos olhos milhares de planos, de sentimentos, de sonhos que, apesar de confusos, continuavam lá.
Inutilmente jogada nas cordas desses ringue, constato que boa parte do amor foi inventada para suprir nossos desejos profundos de sermos completados, transbordados, acompanhados ou o que preferir acreditar.
Acontece que todo mundo tem um limite máximo para lidar com as insuportabilidades do outro, para adaptar-se ou explodir de vez. Ficamos esperando mudanças como se fosse só uma questão de tempo até tudo se encaixar perfeitamente, numa dança de movimentos sincronizados, mas depois de tanto ensaiar o passo, acabamos por errar.
    Amor é a pior coisa do mundo, sozinho não é suficiente, mas misturado também não dá certo.
Somos medidas diferentes esperando um medidor exato, perfeito. Mas nossos defeitos sempre boicotam as possibilidades de dar certo.
O que para você é algo mínimo, sem grande importância, até mesmo engraçado, para mim é essencialmente torturador, e vice-versa. Não somos realmente capazes de entender e aceitar o outro a menos q
ue sejamos também entendidos e aceitos. Não importa o treino, a luta ou o adversário, o amor sempre acaba em nocaute.