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quarta-feira, 7 de março de 2012

Como as borboletas

Quando eu tinha oito anos ouvi falar que as mulheres eram iguais ás borboletas e fiquei me perguntando o sentido daquela comparação. Passei anos sempre perguntando para qualquer adulto que fosse o que, afinal, tinham a ver as mulheres e as borboletas. Sempre me respondiam que eu era pequena demais, que quando crescesse entenderia. Cresci observando cada par de asas coloridas ou lisas, luminosas, cheias de desenhos, cores e texturas e percebi que muito tinham a ver com as tantas saias rodadas que eram moda naquela época, de tecidos leves e esvoaçantes. Observei a delicadeza que elas tinham ao voar lentamente ao redor das pessoas e das árvores e também reparei o quanto se assemelhavam aos movimentos femininos, sempre cuidadosos, medidos e delicados. Cresci me comparando ás borboletas, com elas no ar ou no estômago, eu estava sempre ali analisando. Passei por um milhão de transformações por dentro e por fora de mim constantemente, transmutei-me em tantas coisas que por vezes nem me reconheci mais. Ser borboleta é mais difícil que ser gente, porque as borboletas vivem livres e nunca erram. E depois de milhares de cabelos, unhas, roupas e frios no estômago, despi todos os meus personagens e descobri, finalmente, quem eu era. Aprendi, por fim, o significado daquele provérbio. Aos dezoito anos eu entendi uma coisa que muita gente despreza: que é da larva feia que nasce a borboleta linda. Toda mulher é linda, toda mulher merece o mundo aos seus pés quando acorda de manhã. Feliz dia Internacional da Mulher. Um mais que especial pra minha mãe, linda! Te amo♥