Páginas

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Desde pequenos, sonhamos com nossa casa própria e nossa vida própria, de preferência bem longe dos pais.
Eu alcançei isso. Uhuu, parabéns pra mim? Não. Todo mundo quer sair de casa, mas não sabe a verdadeira face da vida adulta. Aquela em que lavamos, passamos, cozinhamos, limpamos banheiros e vamos ao mercado sozinhos, escolhemos as compras sozinhos, carregamos tudo para casa e comemos sozinhos depois. Quando fui morar sozinha, cheguei pensando "cidade grande, vida sem os pais, festa", me dei mal. Estar aqui longe de toda a mordomia que eu tinha, longe da minha familia, da minha empregada e de qualquer coisa que facilite a minha vida ensinou-me, na marra, o que é ser independente.
Depois de um tempo descobrimos que o conto de fadas não era tão bonito assim e que de vantajoso, só nos resta o direito de ir e vir sem precisar avisar ninguém, ou melhor, sem ter para quem avisar.
Depois de muito chorar de tristeza ao ver minhas unhas após a lavajem das minhas roupas, ou de quase vomitar cada vez em que ia limpar um simples banheiro eu descobri que esse tempo solitário me fez bem.Hoje voltei da escola planejando meu almoço, tomei um enorme banho de chuva (o que antigamente teria me deixado morta de ódio e de vergonha) sem me preocupar se meu cabelo estava horrendo ou se alguém estava achando feio. Pela primeira vez em muitos anos eu saí de casa sem maquiagem e de cabelos molhados parar ir ao mercado comprar mantimentos para mim mesma e não chorei de cansaço por carregar as sacolas por quilômetros na volta para casa.
Viver sozinha implica em muitas responsablidades e se você não souber escolher minunciosamente suas prioridades, vai sofrer tanto quanto eu sofri, achando que iria mandar minhas roupas para a lavanderia ou que a comida iria se comprar sozinha e aparecer no armário. Depois de tudo o que passei com a mudança radical no meu cotidiano, aprendi meus valores, aprendi a ser forte.
A princesinha amadureceu quase á base da porrada, mas amadureceu. Aprendi lições de adulta, aprendi a me virar sozinha e a não dar mais tanta importancia para coisas pequenas, para minorias, na verdade. A vida solitária já é tão vazia para que eu me preocupe com qualquer detalhe!
Hoje eu sei que, se eu quiser comer, que cozinhe. Se eu quiser roupas limpas e cheirosas, que lave. Se eu ficar doente, vou ter que cuidar de mim mesma. E por aí vai, sem excessões, é a vida de gente grande, Magnata, você tem que aprender a conviver consigo mesma (:

Nenhum comentário:

Postar um comentário