Tenho um coração que é meio tonto
E as coisas que moram em mim são labirinto
Onde me faço perder
E não me encontro
Você é mais forte do que eu
Você é mais forte do que eu
E machuca
Os gritos que engoli
Pra vomitar silêncio
São a tua alquimia em mim
Profunda e delicadamente me mudando
Me envenenando, me transformando
Plantando em mim muitas sementes
Provenientes de ti
Você é mais forte do que eu
Você é mais forte do que eu
E se aproveita
Da minha calma, da minha cama
E do profundo desejo que tenho de não brigar
Mas a injustiça me detona
E quando me cobras aquilo que não me doa
Um vulcão nasce em mim
Você é mais forte do que eu
Você é mais forte do que eu
E ser flor não é assim tão fácil
Temos espinhos, as pétalas amassam
E nunca aprendemos a nos defender
Devias ser o espinho que protege
A arma secreta da rosa
O que ela tinha pra se defender
Mas decidiste por ser a ponta mais dolorosa
Da pior ponta da rosa
Do espinho que faz sofrer
Você é mais forte do que eu
Você é mais forte do que eu
Viver é a mais surreal das aventuras, a maioria das pessoas apenas existe.
domingo, 28 de junho de 2015
segunda-feira, 18 de maio de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
Sobre mim
Meu cabelo é selvagem
Porque nunca quis domar
Meus olhos são grandes e atentos
Porque já viram tantas coisas que não querem perder nada
E sabem que precisam ser atentos
Meu nariz é pequeno para que não seja empinado
E nele possam entrar singelamente todos os ares e aromas
que eu puder respirar
Meus lábios são macios e rosados
Mas escondem dentes tortos e acavalados
Para que eu lembre que nem tudo nessa vida é de acordo com as minhas vontades
Tenho orelhas tão pequenas que quase não se acredita em tamanha audição
Meus ombros são curtos e magros, mas já foram o melhor alento para o sofrimento de alguns
Meus seios são escandalosos
Tapo, aperto, disfarço
Serão para sempre o fardo
Por aqueles que jamais me olharão nos olhos
Tenho uma cintura bem fininha
A barriga é magrinha
Mas o estômago ainda vai me matar
cuido dele direitinho
Não como bicho morto, não gosto de comprimidos
Mas ainda assim ele parece me odiar
Minhas mãos são minha parte mais bonita
Pois apesar de serem magras e compridas
São elas que me fazem (me) realizar os sonhos
De escrever, de pintar
Porque nunca quis domar
Meus olhos são grandes e atentos
Porque já viram tantas coisas que não querem perder nada
E sabem que precisam ser atentos
Meu nariz é pequeno para que não seja empinado
E nele possam entrar singelamente todos os ares e aromas
que eu puder respirar
Meus lábios são macios e rosados
Mas escondem dentes tortos e acavalados
Para que eu lembre que nem tudo nessa vida é de acordo com as minhas vontades
Tenho orelhas tão pequenas que quase não se acredita em tamanha audição
Meus ombros são curtos e magros, mas já foram o melhor alento para o sofrimento de alguns
Meus seios são escandalosos
Tapo, aperto, disfarço
Serão para sempre o fardo
Por aqueles que jamais me olharão nos olhos
Tenho uma cintura bem fininha
A barriga é magrinha
Mas o estômago ainda vai me matar
cuido dele direitinho
Não como bicho morto, não gosto de comprimidos
Mas ainda assim ele parece me odiar
Minhas mãos são minha parte mais bonita
Pois apesar de serem magras e compridas
São elas que me fazem (me) realizar os sonhos
De escrever, de pintar
sábado, 9 de maio de 2015
?
Algum tempo atrás o que mais preocupava minha vida era o quanto dela eu poderia estar perdendo na situação de rotina em que me encontrava. Refleti, fritei meu cérebro, resolvi mudar. Em uma bela noite de verão, joguei meus planos e sonhos na privada e resolvi reescrever minha história, agregando apenas os pontos que me favoreciam. Deu certo no início, vi e vivi algumas coisas que ainda me faltavam no tradicional currículo adolescente, otimizei muitos espaços antes confusos do meu tempo, mais do que acordar, eu despertei. Despertei para aquilo que me era mais importante no momento: eu, minha felicidade, minhas escolhas.
Acontece que o tempo é maluco com a gente, de repente quando achamos que estamos prontos para viver sem limites, despenca uma caralhada de responsabilidades nas nossas caras que, ou assumimos de vez, ou atestamos síndrome de Peter Pan.
Acontece que na seleção dos "pontos que me favoreciam", acabei fazendo algumas escolhas erradas, acabei mantendo coisas que estavam me destruindo sem que eu soubesse. E isso me mudou. Decepcionar-se com alguém é muito mais profundo quando estamos falando de amizade, de relações sórdidas de confiança, de amor. Um amigo que morre dentro de nós deixa um gosto azedo na vida, que ressurge toda vez em que pensamos sobre se relacionar. Ver a face real das pessoas põe muitos pingos nos "ís" e nos faz perceber o valor mínimo que algumas relações tem, e por isso abdicar delas.
No auge do meu brilho, quando achei que chegava ao exemplo vivo de "aproveitar a vida" fui sendo engolida pelo enorme buraco negro que é crescer, sendo mastigada pelo egoísmo universal, pela liquidez da vida, e ao ver todas as cortinas caindo, me fechei.
Eu era muito maior do que sou hoje, porque viviam em mim sonhos, pessoas e ilusões que hoje não vivem mais, amadurecer é também amargar-se com o gosto da vida.
Me sinto profundamente responsável por algo que parece tão incomensurável para que eu carregue sozinha!
Ás vezes optar por algo vai muito além de ser uma escolha única, acarreta um imenso efeito borboleta á frente de nós. Vez ou outra me pergunto se não fiquei muito careta, tenho saudades de algumas aventuras malucas, meu instinto de aventureira está bastante enferrujado nessa vida planejada, a rotina apagou a luz do meu holofote, não vivo mais de modo empírico.
Gostaria de saber, afinal, onde fica a linha tênue entre ser responsável e manter o brilho da incerteza, tudo são etapas. Talvez esse equilíbrio só faça parte de um quebra-cabeças maior, onde me esforço para acertar as peças, ainda que vez ou outra rasgue um pedaço para encaixar.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Sou uma gata bem estranha
Tenho hábitos de aranha
E um silêncio no olhar
Não sou lá das mais fogosas
Mas apesar de orgulha
Gosto de me molhar
Não sou assim muito serena
Mas a consciência tenho plena
Sempre tento melhorar
Mesmo chata sou carinhosa
E quem não gosta de uma gatinha manhosa?
Temos todos que concordar
Me domar não é tão simples
Sou silêncio, mas não brinque
Eu sei morder e arranhar
Pra gostar de mim ter que ser louco
Ter assim um gosto meio torto
E me aturar
Mas a recompensa é sempre boa
Não sou nenhuma atoa
Fui feita para amar
Tenho hábitos de aranha
E um silêncio no olhar
Não sou lá das mais fogosas
Mas apesar de orgulha
Gosto de me molhar
Não sou assim muito serena
Mas a consciência tenho plena
Sempre tento melhorar
Mesmo chata sou carinhosa
E quem não gosta de uma gatinha manhosa?
Temos todos que concordar
Me domar não é tão simples
Sou silêncio, mas não brinque
Eu sei morder e arranhar
Pra gostar de mim ter que ser louco
Ter assim um gosto meio torto
E me aturar
Mas a recompensa é sempre boa
Não sou nenhuma atoa
Fui feita para amar
sábado, 25 de abril de 2015
Dentre as piores coisas que fazem os seres humanos, está o amor.
Se deixar amar alguém é entregar-se sem qualquer previsão de se ter de volta, porque quando o outro nos devolve para nós mesmos não é nem de longe com a mesma delicadeza que nos entregamos.
Num instante estamos embrulhando em seda a melhor parte de nós, no momento seguinte essa mesma parte é arremessada contra nossas cabeças, dispensando o aviso de "frágil" e nos despedaçando de vez. como dói recolher os cacos, um a um, vendo destruído diante de nossos olhos milhares de planos, de sentimentos, de sonhos que, apesar de confusos, continuavam lá.
Inutilmente jogada nas cordas desses ringue, constato que boa parte do amor foi inventada para suprir nossos desejos profundos de sermos completados, transbordados, acompanhados ou o que preferir acreditar.
Acontece que todo mundo tem um limite máximo para lidar com as insuportabilidades do outro, para adaptar-se ou explodir de vez. Ficamos esperando mudanças como se fosse só uma questão de tempo até tudo se encaixar perfeitamente, numa dança de movimentos sincronizados, mas depois de tanto ensaiar o passo, acabamos por errar.
Amor é a pior coisa do mundo, sozinho não é suficiente, mas misturado também não dá certo.
Somos medidas diferentes esperando um medidor exato, perfeito. Mas nossos defeitos sempre boicotam as possibilidades de dar certo.
O que para você é algo mínimo, sem grande importância, até mesmo engraçado, para mim é essencialmente torturador, e vice-versa. Não somos realmente capazes de entender e aceitar o outro a menos q
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Hoje penso nos teus braços
casulo ue me protege
dos horrores de mim mesma
Sozinha sou um perigo
com todos os pensamentos
desbravados em memórias
que nem mesmo existiram
Te pensava eu como a paixão
que é um moleque atrevido
batendo na porta pra depois correr
Mas a campainha tocou
e continuavas lá
suave e adulto
como o amor
Dizer "eu te amo" dormindo
me define
Sou o medo e a entrega
vivendo num corpo de menina
me assusta o depois
e só penso no agora
A melancolia das incertezas
me varre a noite
me tira o sono
não quero dormir
Sinto que fizeste de mim um botão
prestes a florescer
Não consigo dormir pensando nos teus braços
me envolvendo sem pudor
porque onde habita meu ser tem teus braços
há braços
e são seus
casulo ue me protege
dos horrores de mim mesma
Sozinha sou um perigo
com todos os pensamentos
desbravados em memórias
que nem mesmo existiram
Te pensava eu como a paixão
que é um moleque atrevido
batendo na porta pra depois correr
Mas a campainha tocou
e continuavas lá
suave e adulto
como o amor
Dizer "eu te amo" dormindo
me define
Sou o medo e a entrega
vivendo num corpo de menina
me assusta o depois
e só penso no agora
A melancolia das incertezas
me varre a noite
me tira o sono
não quero dormir
Sinto que fizeste de mim um botão
prestes a florescer
Não consigo dormir pensando nos teus braços
me envolvendo sem pudor
porque onde habita meu ser tem teus braços
há braços
e são seus
terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A fundo mergulhei
Me orgulhei
Pra depois chorar
Foste tão longe
Augúrios
Além-mar
Tanto tempo em sofrimento
Nessa vida de tormentos
Não sabe como
Mas não vai morrer
Foi pra lá de meia ponta
Ainda que não estivesse pronta
Só queria fugir
Sem se explicar
Augúrios
Além-mar
A fundo mergulhei
Sem saber
Nada(r)
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
É por esse tipo de coisas que passo a maior parte do meu tempo em casa, sozinha com meu gato.
As pessoas são detestáveis, nem preciso dizer. Mas em alguns momentos de nossas vidas, realmente acreditamos no apoio e companhia alheia, no "não se pode viver sozinho para sempre", pois eu acho que se pode, sim.
Sou do tipo solitária desde sempre, mas ao longo dos anos fui convencida de que preciso de pessoas ao meu redor, para os momentos felizes e tristes, para as festas da faculdade e para não parecer (mais) estranha andando sozinha por aí. Acontece que absolutamente todos os meus momentos tristes foram causados por pessoas. Essas pessoas que me convenceram de que eu precisaria de alguém ao meu lado, são as mesmas que me machucaram profundamente depois. E na hora de chorar, eu estava mais uma vez sozinha.
Nunca consegui entender as relações humanas num total. Por que alguém faria tanto por outra pessoa para logo depois feri-la sem pensar por algo nem tão importante? É tudo um jogo de ego, eu sei. Ainda assim não posso simplesmente aceitar que "todo mundo trai", "todo mundo mente", "todo mundo fala mal dos outros pelas costas". Não que eu nunca tenha feito nenhuma dessas coisas, mas ninguém irá me convencer de que é um "hábito normal".
Foi por isso que eu comecei a fumar no ensino médio. Nova cidade, nova escola, nenhum amigo. Eu não queria parecer pateticamente solitária, então fumava nos intervalos como símbolo de estar fazendo alguma coisa. Não mudou muito de uns anos pra cá.
Namorei outro solitário por muito tempo, ficávamos basicamente introspectivos nos nossos universos, mas ainda assim nos fazíamos companhia. Tive uma única melhor amiga, que posteriormente me deixou por não poder assumir seus próprios erros e por eu não ter sucesso em esconder todas as suas mentiras. Eu mentia por ela, porque a amava. E entender o amor não é tão simples.
Passei a, de certa forma, participar socialmente da vida de algumas pessoas, principalmente depois de ter rompido o elo com meu solitário e decidido desvendar as relações humanas.
O mundo é um grande mal entendido. As pessoas realmente vivem selvagemente, atacando e derrubando os outros sempre que isso possa trazer alguma vantagem. É estranho pensar que até os amigos competem, que companheiros mentem e escondem coisas uns dos outros, indo pelo velho (e falso) ditado de que "o que os olhos não veem, o coração não sente". Acontece que os olhos sempre acabam vendo e o coração sente muito mais.
Tentei mostrar meu mundo pra algumas pessoas, convidando-os gentilmente a entrar na minha bolha, alguns deslumbraram-se e depois enjoaram e foram embora, outros simplesmente me convenceram de que ficariam comigo enquanto eu precisasse. cheguei a me sentir "linda", cheguei a me sentir esperançosa outra vez, mas era tudo parte da teia que são as relações humanas.
Tenho espírito seletivo, escolho a dedo todas as interações que terei e ainda assim cometo muitas falhas. Normalmente quem me decepciona mais profundamente são aqueles em que apostei todas as fichas, são aquelas pessoas-penhasco que você se joga achando que vai voar, sem reparar que já está caindo. É muito difícil se jogar de um penhasco com tanta confiança de que vai dar certo, porque quanto mais confiante é o pulo, mais dolorida é a queda. As vezes acho que nem me levantei ainda.
Enquanto me recolho á solidão da minha vida mais uma vez, também admiro essas pessoas que vivem por aí se jogando, muitas vezes do mesmo penhasco, uma centena de vezes. Admiro sua coragem, mas não sou capaz de fazer tantos curativos, sem morrer de hemorragia.
quanto maior o amor, maior a dor.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Meu lindo
que saudade
Você era tão charmoso
(que saudade)
Era suave quando tocava o meu rosto
E me falava algumas bobagens
que saudade
Pretinho
(que maldade)
Penso que tiveste uma única flor verdadeira
que era um (de)lírio, tulipa ou flor do maracujá
Mas nunca uma trepadeira
que maldade
Você era tão gostoso
Beijava meu corpo e tocava meu rosto
como nenhum outro qualquer
que saudade
Você era tão manhoso
Fazia bico e suspirava em meu entorno
Por motivos que não tem sentido
que saudade
Você tinha olhos verde azeitona
que vez ou outra me sentia dona
E por isso queria domar
que saudade
que saudade
Você era tão charmoso
(que saudade)
Era suave quando tocava o meu rosto
E me falava algumas bobagens
que saudade
Pretinho
(que maldade)
Penso que tiveste uma única flor verdadeira
que era um (de)lírio, tulipa ou flor do maracujá
Mas nunca uma trepadeira
que maldade
Você era tão gostoso
Beijava meu corpo e tocava meu rosto
como nenhum outro qualquer
que saudade
Você era tão manhoso
Fazia bico e suspirava em meu entorno
Por motivos que não tem sentido
que saudade
Você tinha olhos verde azeitona
que vez ou outra me sentia dona
E por isso queria domar
que saudade
domingo, 16 de novembro de 2014
Vai logo, amor
Já estás de malas prontas
Ainda não te destes conta
Estás louco para partir
Não entenda mal meus anseios
Não são nem nunca foram desejos
Só gostaria de poupar o que já sofri
Diante dos teus augúrios de amante
Me vejo já não mais tão interessante
Aos teus olhos, que lambem antes de morder
Já não existo de forma plena
Não me tens mais em doma na prateleira
Vez ou outra, me colocas á disposição
Entendo a forma como existes
Vivendo tantas vidas
Que se acabam e recomeçam
Quando o perigo chegar
Tens alma tao leve que é arrastada pela cheia
Pra por de lado teus tormentos
Tem um mundo á te esperar
Vai logo amor
Já estás de malas prontas
Não vês a hora de partir
Me abandonará como qualquer outra falena
E eu, ainda tão pequena
Estou pensando em me poupar
Irás tão longe
Augúrios
Além-mar
Mas um dia tu volta, sereno
Sinto dizer que já não terás meu alento
Mas conhecendo teu ser, outro colo manso não demorarás a encontrar
Augúrios
Além-mar
O som da partida de quem continua aqui, mas já me deixou.
Já estás de malas prontas
Ainda não te destes conta
Estás louco para partir
Não entenda mal meus anseios
Não são nem nunca foram desejos
Só gostaria de poupar o que já sofri
Diante dos teus augúrios de amante
Me vejo já não mais tão interessante
Aos teus olhos, que lambem antes de morder
Já não existo de forma plena
Não me tens mais em doma na prateleira
Vez ou outra, me colocas á disposição
Entendo a forma como existes
Vivendo tantas vidas
Que se acabam e recomeçam
Quando o perigo chegar
Tens alma tao leve que é arrastada pela cheia
Pra por de lado teus tormentos
Tem um mundo á te esperar
Vai logo amor
Já estás de malas prontas
Não vês a hora de partir
Me abandonará como qualquer outra falena
E eu, ainda tão pequena
Estou pensando em me poupar
Irás tão longe
Augúrios
Além-mar
Mas um dia tu volta, sereno
Sinto dizer que já não terás meu alento
Mas conhecendo teu ser, outro colo manso não demorarás a encontrar
Augúrios
Além-mar
O som da partida de quem continua aqui, mas já me deixou.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Gostaria de, nessa noite de estranho tempo
Abrir, suave e serenamente, com a delicadeza de minhas mãos femininas
Ferir docemente meu corpo
Estraçalhar, calma, o cerne de minhas entranhas
Pelo doce prazer de sair de minha casa
E me perder
Os infernos da vida vivem dentro de nossas cabeças
E se "o inferno são os outros"
Somos também os outros de alguém
Teremos sobre nossas cabeças a coroa de "sapiens"
crivada de espinhos, abrirá nosso terceiro olho
Já banhado de sangue
Julgamos ambiente nosso meio
Mas quando olhamos no espelho pela manhã
É estranheza que remete
Gado da miséria, é o que somos
Pobres almas buscando aceitação
Somos os filhos da carência
E das inseguranças
Sofremos por males menores
Sem damo-nos conta de que o real sofrimento
Desconhecemos
Tenho dó de quem se diz "zen"
"Zen" noção
"Zen" respeito
"Zen" caráter
Espirro meus dissabores
com sibilos de veneno
Do pouco de letal que tenho, me reservo
Nunca encontrei nesse mundo ser pior
Do que o humano
Sem princípios, sem futuro
Seguimos por aí como pobres esmoleiros
Implorando atenção, uma gota de carinho
E exclusividade
E o que tem de exclusivo nos homens?
O modo como nos ferem
E nas mulheres?
O modo como são feridas
Entre o fiel e o honesto
Fico com o amor
(Saberá ele resolver melhor)
Abrir, suave e serenamente, com a delicadeza de minhas mãos femininas
Ferir docemente meu corpo
Estraçalhar, calma, o cerne de minhas entranhas
Pelo doce prazer de sair de minha casa
E me perder
Os infernos da vida vivem dentro de nossas cabeças
E se "o inferno são os outros"
Somos também os outros de alguém
Teremos sobre nossas cabeças a coroa de "sapiens"
crivada de espinhos, abrirá nosso terceiro olho
Já banhado de sangue
Julgamos ambiente nosso meio
Mas quando olhamos no espelho pela manhã
É estranheza que remete
Gado da miséria, é o que somos
Pobres almas buscando aceitação
Somos os filhos da carência
E das inseguranças
Sofremos por males menores
Sem damo-nos conta de que o real sofrimento
Desconhecemos
Tenho dó de quem se diz "zen"
"Zen" noção
"Zen" respeito
"Zen" caráter
Espirro meus dissabores
com sibilos de veneno
Do pouco de letal que tenho, me reservo
Nunca encontrei nesse mundo ser pior
Do que o humano
Sem princípios, sem futuro
Seguimos por aí como pobres esmoleiros
Implorando atenção, uma gota de carinho
E exclusividade
E o que tem de exclusivo nos homens?
O modo como nos ferem
E nas mulheres?
O modo como são feridas
Entre o fiel e o honesto
Fico com o amor
(Saberá ele resolver melhor)
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Âmago do azar
Sou a visão triste
De mim mesma
Revirada nas ternes entranhas do meu ser
Provando os dissabores da vida
E como são amargas as decepções
Eis em mim como um raio de fogo
A última chama
Num mar de cinzas
que eram lágrimas
que secaram
Vos digo "lindo"
Porque és o pouco que me resta de beleza
Na vida
Amargaram-me as tristezas
Só provo do calor do teu abraço
Ás vezes.
Sou a visão triste
De mim mesma
Revirada nas ternes entranhas do meu ser
Provando os dissabores da vida
E como são amargas as decepções
Eis em mim como um raio de fogo
A última chama
Num mar de cinzas
que eram lágrimas
que secaram
Vos digo "lindo"
Porque és o pouco que me resta de beleza
Na vida
Amargaram-me as tristezas
Só provo do calor do teu abraço
Ás vezes.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Sabe-se lá se está vestida, ou dorme transparente.
Tem coisas na vida que não conseguimos fugir, é uma triste realidade, mas há momentos em que temos todas as armas apontadas, prontas para atirar e repelir para sempre aquela ameaça tão tentadora, mas é bem nessa hora que o gatilho falha e caímos na fenda entre nossas decisões.
Eu acabo de entrar na fase dos "vinte e poucos anos", mas já tenho um tremendo receio dessa história de me relacionar, porque sei que nada no mundo dá mais problema que se apaixonar. Principalmente se ele for mais velho, principalmente se morar longe e, principalmente-mente se for completamente louco. Mas se não é nada disso, não me interessa. Essa é outra triste realidade que preciso assumir, não sei se é comum de todas as pessoas tenderem sempre ao lado mais infame da coisa, mas pros lados desse coração de geminiana acontece muito.
Fui indo durante muito tempo, juntando os pedaços do meu coração na primeira vez em que foi partido, arrumei diversas pessoas para me ajudarem a cuidar dele, cresci, apareci, me apresentei de novo para mim mesma e quando estava absolutamente sólida e certa, vem aquele diabinho lindo com os dentes da frente separados sussurrar no meu ouvido que a vida é linda e que só se tem vinte uma vez.
E eu esqueço de esquecer disso e passo a refletir, depois a concordar e quando me dou por conta, estou deitada no meio da madrugada assistindo uma lua cheia majestosa da janela do meu quarto, escorada no braço dele. E aí fudeu tudo! (com o perdão da palavra)
O problema todo é que eu não aprendi a brincar com a liberdade, porque mesmo estando livre, leve e solta, dentro de mim a imagem da gaiola começa a me amedrontar. E aí sim estarei total e completamente fodida na vida, apaixonada por um bom vivan que vive sua vida linda em outro estado enquanto me mato de estudar pra quem sabe ser alguém um dia, mas o que me assusta nem é isso, é a vontade que eu sei que vai bater na minha porta de largar tudo e sair correndo pra viver de momento e esquecer o planejamento que passei a vida fazendo, pra viver depois. E também não é nem tanto por isso, mas porque sei que um dia eu vou acordar e o sonho vai ter se desfeito, e eu vou me arrepender amargamente depois.
Pensei que nunca ia aprender essa coisa de prever as coisas, de saber, só de olhar, como vai se desvendar tudo na vida. E o que mais me aterroriza, dentre todas essas coisas loucas, é que, nesse momento, quero muito entrar no furacão, fechar meus olhos e só abrir pra ver onde ele me deixou.
São ciclos e ciclos se formando e se desfazendo dentro de mim, sumindo no ar, que é nosso elemento. Não posso te dar nome, mas tenho a plena lembrança da sensação que é a tua barba pinicando meu rosto enquanto eu durmo e de todo e qualquer "linda" que tenha ouvido durante os três dias que viraram uma semana, que virou oito dias, que virou uma semente daninha se disfarçando de flor dentro de mim.
Penso também que não sei porque penso tanto nisso, me deixa em agonia imaginar uma vida do teu lado e ao mesmo tempo eu sei que isso não daria certo, que provavelmente nem aconteça e eu nem sei também o que se passa dentro da tua cabeça que eu mal conheço. Tenho que admitir que o que me põe em cheque é o tempo que tu me dedicou, toda a pura insistência, a certeza de que nós dois juntos seria ótimo, a descarada certeza disso. E aquele olhar. Ninguém nunca me olhou tão profundamente em toda a minha vida, me senti nua por cinco segundos, como se o universo tivesse ficado mudo naquele instante, só pra gente se olhar.
Devo mesmo estar descalcetando da cabeça de vez, eu que já tinha pensado até em trocar de lado, agora ficar escutando mpb e dando uma sambadinha dentro de casa, as coisas mudam, quebrando-se paradigmas.
sábado, 24 de maio de 2014
Todo mundo quer encontrar a extrema ligação, o frênesi espiritual com outro ser, os momentos de amor profundo que te fazem suspirar usando um ar que vem de um lugar do pulmão que você nem sabia que existia. Todos querem ser o casal harmônico, que não briga, que não discute em público, que não sente ciúme, que vive em plena paz de convivência. Todos acham que esse é o casal perfeito, tomam-nos como parâmetro para toda e qualquer relação que venham ter no futuro, projetam ali esperanças do verdadeiro amor.
Agora vou contar um segredo:
O casal perfeito, quando chega em casa senta-se lado a lado na cama e cada um lê um livro até o sono bater, o casal perfeito cozinha junto numa plena dança de movimentos, sem se tocar. O casal perfeito não se beija na boca de verdade á muito, muito tempo, eles dormem abraçados, mas nenhuma chama arde em seu interior.
Quando a mulher do casal perfeito acorda todas as manhãs, ela pensa em beijar o pescoço do homem do casal perfeito, pensa em deslizar suas mãos ainda quentes pelo corpo dele, mas já está cansada de repetir uma tentativa que falhou inúmeras vezes. Quando ela sai do banho, vai até o quarto e tira a toalha vagarosamente, esperando que seu corpo seja acariciado por olhos que a desejam, mas esses mesmos olhos estão fixos no computador, no violão ou num texto de filosofia. Quando eles saem juntos, ela se arruma minunciosamente, enquanto ele espera calmo e tranquilo, sem reclamar da demora. Assim que ela sai do quarto pronta, esperando algo como "você está linda" ou "esse vestido cai bem em você", ouve um apressado "até quem enfim, vamos logo que já estamos atrasados" e ainda assim ela vai. Andam na rua á noite e dezenas de pescoços se entortam para olha-la enquanto os olhos dele vagam pela imensidão do mundo e das coisas que se passam por sua mente sobrecarregada. Arrasta-a pela mão sem olhar para trás, não se importa com os homens que a desejam pois sabe que ela o ama incondicionalmente e, apesar do descaso, jamais o deixaria. A mulher do casal perfeito dá uma cópia da chave do seu apartamento para o homem do casal perfeito, esperançosa de que um dia ele chegue silencioso, abra a porta com cuidado e vá direto para debaixo das cobertas com ela, descobrir as maravilhas que se escondem debaixo da sua saia, transforma-la em uma gatinha manhosa, faze-la sentir-se novamente desejada. Mas ele não vem. A mulher do casal perfeito não demora mais tanto para se arrumar, pois não vê motivos para isso, não se sente mais tão bonita como de costume.
O homem do casal perfeito tem um cansaço intrínseco em seu corpo que nem ele mesmo sabe de onde vem, anda sobrecarregado, com a mente á mil. Olha para sua mulher perfeita e a vê exasperada, conversando futilidades e criticando ferozmente todas as outras pessoas no bar, sente-se frustrado, pergunta-se onde andará a mulher por quem se apaixonou. Vai pra casa cansado e só quer dormir e ainda assim tem que lidar com ela, ferida como uma onça braba, discutindo a existência terrestre com a frustração de alguém que descobriu viver num mundo que não é seu. Ele resume-se ao silêncio, ás séries de tv que lhe varrem a madrugada enquanto ela dorme, frustrada, ao seu lado.
O homem do casal perfeito achava que era perfeito até perceber, horrorizado, que a mulher perfeita ao seu lado já não era a mesma mulher. A mulher do casal perfeito achava que era perfeito até perceber que o homem que escolheu não era bem o que ela imaginava. O casal perfeito vive em plena harmonia, mas escondem suas frustrações.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Aurora
Hoje sou uma velha conhecida entrando pelo misterioso labirinto das vidas que desconheço, sou um amontoado desajeitado de fragmentos não vividos do universo que resolveram se libertar do abismo que eram as zonas calmas e adentrar timidamente a louca e vil atmosfera do cosmos.
Estou no momento mais doloroso da águia, arrancando meu bico antigo e minhas garras enferrujadas para que, apesar de todo o sofrimento, novas armas possam vir. Cheguei á conclusão de que o desconhecido é curioso demais para ser deixado para trás, guardado na gaveta como algo que não interessa, porque me interessa e muito.
Há um instante crucial nas nossas vidas, em que a liberdade bate tão forte na porta do estômago que se tu não abrires, te mata.
E o que te resta - e me resta - é espiar pela janela e ver que não vai ter jeito mesmo, é hora de fazer as malas e dizer adeus para a velha vida, é hora de arrancar as cascas e afiar o bico novo, porque apesar de lindo, o voo pode ser fatal.
Me passam centenas de pessoas, de cenas, momentos e oportunidades e, apesar do medo ser meu maior inimigo, é também a linha tênue que me separa da total insanidade.
Hoje eu estou em frente á porta aberta da gaiola que foi minha casa a vida toda, estou no momento do dia em que é cedo para sair e tarde para ficar. Frio na barriga antes da queda livre e meu último vislumbre é a beleza da aurora.
domingo, 11 de agosto de 2013
A mulher mais linda do sistema solar
Num insight de vida eu percebo que há alguém no mundo que me vê exatamente como sou, da forma mais pura e real que alguém pode ser. Percebo que nessa vida cheia de interesses e recompensas,que tenho alguém que me dá tudo sem pedir nada em troca, e vice versa.
Penso que ao lado dela, sou quem realmente sou, sem filtros e retoques, falo sem pensar, penso sem ser julgada, sinto amor sem ter que recompensa-la por isso. Entre nós duas, com nossas múltiplas personalidades e inúmeras fases, nos acompanhamos da forma mais natural possível, como uma dança entre duas pessoas que aprenderam a coreografia juntas.
Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem nos paralelos do universo, felizmente nós nos encontramos na mais perfeita harmonia, nas consciências sem julgamentos dos sentimentos puros, das palavras certas, dos momentos bons. O que nos une é mais do que um jogo de interesses, não faz parte do mundo de status. Entre nós duas jamais haverá concorrência de nenhuma forma, porque acima de tudo nos respeitamos e nos admiramos profundamente, não só como amigas, mas como os seres humanos que somos.
Partilhamos não só os mesmos estranhos gostos por coisas difíceis e que nos mutilam de alguma forma, mas os desgostos pelas artificialidades do mundo, gostamos de profundidades oceânicas e não das possas d'água que vagam ausentes de amor á nossa volta, sugando e sabotando o que é sólido e não se abala.
Há amor no que se sustenta, e nós acalentamo-nos e nos damos suporte sempre. Eu, no turbilhão que sou, já dividi o peso dela nas minhas costas por alguns minutos e, por maior e mais pesado que fosse, carregaria-o de igual para igual para sempre se me fosse pedido. E não me resta dúvidas da reciprocidade dos meus sentimentos, a semelhança nos uniu e as diferenças não nos separam, ela extrai de mim o que me há de mais puro: a realidade.
"Nós, duas meninas tão polidas, levando uma vida tão lascada", ainda bem que pelo menos estamos juntas e temos uma á outra. Eu te amo.
domingo, 4 de agosto de 2013
Pior irmã do mundo
De tempos em tempos dou-me conta de que já desfiz a maior parte do elo que me une á única pessoa de quem jamais na vida posso me separar. Já perdi as contas das mágoas que causei em teu peito, estas mesmas que me levam o sono e corroem minhas entranhas de remorso noite á dentro.
Como posso amar tanto alguém que só sei ferir? Corro como posso, destrambelhada em meus próprios sentimentos, tropeçando em atitudes que me assombram, em decisões que me envergonham, mas que não posso voltar atrás.
E nesse meu embaralho de não saber lidar, desloco minhas reações tentando moldar-me ao que te machuque menos, acabo te estraçalhando em pedaços que não posso mais juntar.
Se tu tivesses ideia, guria, do amor que por ti carrego, tentarias ser menos turrona com essa irmã que, na tentativa de fazer a coisa certa, acaba sempre errando mais e se perdendo no desespero profundo que é te perder.
Por ti eu aguentaria o peso do mundo, deixaria minha loucura de lado para tratar da tua, esqueceria minhas feridas para poder te curar.
Eu sei que tenho sido mais torta do que nunca, mas por mais inacreditável que seja, durmo e acordo pensando em mil maneiras de melhorar as coisas. Não pense que eu não sei ou me esqueci que não há pessoa no mundo que ocupe um lugar maior em mim, e por mais desvairado, inconsequente e irresponsável que o meu amor seja, ele é sincero e enorme. Não é o simples fato de termos compartilhado da mesma barriga que engrandece meus sentimentos, foi o teu amor quem fez a parte boa que me habita. Foste tu, com todo o teu destrambelhamento e orgulho, que me amou e me criou desde o princípio.
Não gosto de pensar no que eu poderia ter me tornado se tu não estivesse ali o tempo todo para curar minhas feridas, aplaudir minhas vitórias e colocar um band-aid no meu joelho e no meu coração sempre que possível. Nós passamos a vida toda ao lado uma da outra e não consigo acreditar nas coisas que fui capaz de fazer no ápice do meu egoísmo e insanidade. Eu tenho plena consciência de que jamais serei perdoada, de que nada nunca mais será igual e me envergonho da minha covardia diante de tudo isso, da minha incapacidade de ao menos tentar reaver parte do prejuízo que causei.
Recolho-me aos aposentos da minha alma suja e mantenho a maior distância possível da tua vida, não porque acho que a casa dos outros é melhor, mas porque acho que a minha casa é melhor sem mim.
Não peço perdão porque acho ridículo alguém com meu caráter, alguém que fez as coisas que eu fiz ainda desejar um perdão que não merece. Eu só queria poder te mostrar ao menos uma vez nas nossas vidas o tamanho do amor, admiração, respeito e necessidade que eu tenho de ti, do teu carinho atrapalhado, da tua voz de comando e do horizonte que tu me dá.
Eu queria um dia na vida voltar ao dia em que fiz 17 anos e escrever tudo diferente, mudar o script de uma vida incrível que eu destruí. Eu queria poder te pedir perdão sem ter vergonha, reaver ao menos em parte tudo o que eu joguei pela janela sem medir as consequências, eu queria que nós duas deixássemos de ser irmã para tornarmos a ser amigas. Eu queria ainda ser a parte responsável de nós duas numa tarde muito louca de festival e ver o sol se pôr tranquila, para depois voltar para casa e ter de volta a vida pacata de quem tem família, de quem tem irmã.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Alien funcional
Ele acha que eu vivo em um mundo paralelo por não ver o real, acontece que eu vejo o mundo real, ele apenas não me agrada. Viver no meu próprio mundo evita muitas crises existenciais, não da minha existência, mas da existência alheia. Enquanto eu esperar por pessoas especiais em momentos especiais, terei pelo que aguardar ansiosamente. E mesmo que os julgados especiais venham a me machucar, ao menos é emoção. A intensidade me fascina muito mais do que a longevidade dos relacionamentos.
Só que ele acha que por não ver o mundo como ele é, vou sofrer. Acontece que eu seria imensamente infeliz se fizesse as malas do meu "wonderland" particular e me mudasse de vez para esse mundo cinza. O mundo real é decepcionante, é como beber na roda para tornar os amigos que eu não tenho mais interessantes. De vez em quando acordo de manhã e percebo que acordei em uma realidade que se impôs pra mim de forma que eu não possa fugir. Esses dias me dão vontade de chorar, é como estar na ponta de um imenso abismo, esperando pela liberdade do voo sob os olhares atentos de uma multidão sedenta de sofrimento.
Eu disse: "não tenho amigos de verdade". Ele disse: "tu não sabes escolher." Mas as pessoas que talvez fossem bons amigos para qualquer um não me são de grande ajuda. A intensidade é algo cativante, não me agradam meios-termos, apesar dos intensos sempre acabarem por magoar a si e aos outros.
O problema de se ter um universo particular é a solidão, já que normalmente quando convidamos alguém para entrar, temos nossos convite educadamente recusado, os racionais preferem viver em um coletivo mundo real á ficarem sozinhos.
Cada dia que passa me sinto mais como um alienígena funcional vivendo em um universo paralelo porque a vida real é entediante demais.
- Baseado em uma conversa entre geminianas.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Transforma, transmuta, transcende.
Tem muito tempo, o verão era a luz do teu sorriso.
Todos dos dias eu ainda penso no que me tornei, pra mim e pra ti. Peno na leveza do teu olhar que me amava da cabeça aos pés, na tua dança que, exuberante, me mostrava o teu amor e o teu contentamento sobre tudo que me cercava. Lembro de pedir baixinho ao cosmos pra nunca te tirar do meu lado e pra tu sempre ser o mesmo cavalheiro gentil, honesto e bondoso que eu conheci com as mãos lambuzadas de protetor solar.
Ainda me questiono, complexa, como fui capaz de me descuidar e ferir tão brutalmente parte tão importante do meu legado de amor. Ser humana ás vezes acarreta mais revezes do que imaginamos.
Sem maires direitos perante o teu semblante, que hoje faz questão de me evitar, mantenho-me inquieta por me fazer presente outra vez.
Penso que hoje as palavras fluem como uma navalha afiada, rasgando em tinta as páginas do meu arquivo de memórias, escrevendo sem hesitações a respeito dos teus olhos castanhos, teus mil talentos e teu bom coração.
Nunca esqueci de nós dois numa rede que pingava água, no calor mais úmido de todos os tempos, quando meus olhos quase se fechavam de lisergia e te disseram "eu não te adoro, eu te amo". Ainda hoje tenho a mesma opinião daquele dia, tu segues sendo pra mim parte importante do meu coração, apesar de suspeitares que já não possuo um.
Gostaria que o poder do teu talento pudesse também consertar tuas feridas, e até mesmo cortaria minhas unhas para que elas não pudessem mais perfurar nenhuma camada do que te machuca, acontece que te ver de novo bem na minha frente foi como dar açúcar á minha boca e ácido ao meu coração. Não houve um só dia em que eu não pensasse com ternura no que passou, nos momentos mais felizes que alguém já me proporcionou, nas pequenas esferas de bons pensamentos que me deixaste, nos momentos eternos que assistimos juntos.
Tanto tempo depois eu só queria poder tirar o que dói em ti e fazer doer em mim, qualquer dor é insuportável quando fomos nós quem causamos, e eu convivo com a tua ardendo em mim constantemente.
Eu só queria poder ainda ter nos meus dias as tuas mãos mais lindas do mundo afagando meus cabelos, me ensinando malabares ou um ponto novo de macramê.
Queria que o teu amor não demorasse a se transformar no que quer que venha a seguir, pudesse finalmente sofrer a mutação necessária para que nossas almas, tão profundamente conectadas, pudessem enfim desfrutar de uma ligação saudável de carinho e compreensão. Não importa o que fizemos errado, o que escolhemos de torto, as decisões que não eram certas, onde uma vez houve amor, sempre haverá. Independente do que se transforme, transmute e transcenda, o que é puro permanece.
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