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terça-feira, 30 de dezembro de 2014


A fundo mergulhei
Me orgulhei
Pra depois chorar

Foste tão longe
Augúrios
Além-mar

Tanto tempo em sofrimento
Nessa vida de tormentos
Não sabe como
Mas não vai morrer

Foi pra lá de meia ponta
Ainda que não estivesse pronta
Só queria fugir
Sem se explicar

Augúrios
Além-mar

A fundo mergulhei
Sem saber
Nada(r)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014




É por esse tipo de coisas que passo a maior parte do meu tempo em casa, sozinha com meu gato.

As pessoas são detestáveis, nem preciso dizer. Mas em alguns momentos de nossas vidas, realmente acreditamos no apoio e companhia alheia, no "não se pode viver sozinho para sempre", pois eu acho que se pode, sim.
   Sou do tipo solitária desde sempre, mas ao longo dos anos fui convencida de que preciso de pessoas ao meu redor, para os momentos felizes e tristes, para as festas da faculdade e para não parecer (mais) estranha andando sozinha por aí. Acontece que absolutamente todos os meus momentos tristes foram causados por pessoas. Essas pessoas que me convenceram de que eu precisaria de alguém ao meu lado, são as mesmas que me machucaram profundamente depois. E na hora de chorar, eu estava mais uma vez sozinha.
Nunca consegui entender as relações humanas num total. Por que alguém faria tanto por outra pessoa para logo depois feri-la sem pensar por algo nem tão importante? É tudo um jogo de ego, eu sei. Ainda assim não posso simplesmente aceitar que "todo mundo trai", "todo mundo mente", "todo mundo fala mal dos outros pelas costas". Não que eu nunca tenha feito nenhuma dessas coisas, mas ninguém irá me convencer de que é  um "hábito normal".
    Foi por isso que eu comecei a fumar no ensino médio. Nova cidade, nova escola, nenhum amigo. Eu não queria parecer pateticamente solitária, então fumava nos intervalos como símbolo de estar fazendo alguma coisa. Não mudou muito de uns anos pra cá.
Namorei outro solitário por muito tempo, ficávamos basicamente introspectivos nos nossos universos, mas ainda assim nos fazíamos companhia. Tive uma única melhor amiga, que posteriormente me deixou por não poder assumir seus próprios erros e por eu não ter sucesso em esconder todas as suas mentiras. Eu mentia por ela, porque a amava. E entender o amor não é tão simples.
Passei a, de certa forma, participar socialmente da vida de algumas pessoas, principalmente depois de ter rompido o elo com meu solitário e decidido desvendar as relações humanas.
O mundo é um grande mal entendido. As pessoas realmente vivem selvagemente, atacando e derrubando os outros sempre que isso possa trazer alguma vantagem. É estranho pensar que até os amigos competem, que companheiros mentem e escondem coisas uns dos outros, indo pelo velho (e falso) ditado de que "o que os olhos não veem, o coração não sente". Acontece que os olhos sempre acabam vendo e o coração sente muito mais.
     Tentei mostrar meu mundo pra algumas pessoas, convidando-os gentilmente a entrar na minha bolha, alguns deslumbraram-se e depois enjoaram e foram embora, outros simplesmente me convenceram de que ficariam comigo enquanto eu precisasse. cheguei a me sentir "linda", cheguei a me sentir esperançosa outra vez, mas era tudo parte da teia que são as relações humanas.
Tenho espírito seletivo, escolho a dedo todas as interações que terei e ainda assim cometo muitas falhas. Normalmente quem me decepciona mais profundamente são aqueles em que apostei todas as fichas, são aquelas pessoas-penhasco que você se joga achando que vai voar, sem reparar que já está caindo. É muito difícil se jogar de um penhasco com tanta confiança de que vai dar certo, porque quanto mais confiante é o pulo, mais dolorida é a queda. As vezes acho que nem me levantei ainda.
Enquanto me recolho á solidão da minha vida mais uma vez, também admiro essas pessoas que vivem por aí se jogando, muitas vezes do mesmo penhasco, uma centena de vezes. Admiro sua coragem, mas não sou capaz de fazer tantos curativos, sem morrer de hemorragia.

quanto maior o amor, maior a dor.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Meu lindo
que saudade

Você era tão charmoso
(que saudade)
Era suave quando tocava o meu rosto
E me falava algumas bobagens

que saudade

Pretinho
(que  maldade)
Penso que tiveste uma única flor verdadeira
que era um (de)lírio, tulipa ou flor do maracujá
Mas nunca uma trepadeira

que maldade

Você era tão gostoso
Beijava meu corpo e tocava meu rosto
como nenhum outro qualquer

que saudade

Você era tão manhoso
Fazia bico e suspirava em meu entorno
Por motivos que não tem sentido

que saudade

Você tinha olhos verde azeitona
que vez ou outra me sentia dona
E por isso queria domar

que saudade

domingo, 16 de novembro de 2014

Vai logo, amor
Já estás de malas prontas
Ainda não te destes conta
Estás louco para partir

Não entenda mal meus anseios
Não são nem nunca foram desejos
Só gostaria de poupar o que já sofri

Diante dos teus augúrios de amante
Me vejo já não mais tão interessante
Aos teus olhos, que lambem antes de morder

Já não existo de forma plena
Não me tens mais em doma na prateleira
Vez ou outra, me colocas á disposição

Entendo a forma como existes
Vivendo tantas vidas
Que se acabam e recomeçam
Quando o perigo chegar

Tens alma tao leve que é arrastada pela cheia
Pra por de lado teus tormentos
Tem um mundo á te esperar

Vai logo amor
Já estás de malas prontas
Não vês a hora de partir

Me abandonará como qualquer outra falena
E eu, ainda tão pequena
Estou pensando em me poupar

Irás tão longe
Augúrios
Além-mar

Mas um dia tu volta, sereno
Sinto dizer que já não terás meu alento
Mas conhecendo teu ser, outro colo manso não demorarás a encontrar

Augúrios
Além-mar

O som da partida de quem continua aqui, mas já me deixou.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Gostaria de, nessa noite de estranho tempo
Abrir, suave e serenamente, com a delicadeza de minhas mãos femininas
Ferir docemente meu corpo
Estraçalhar, calma, o cerne de minhas entranhas
Pelo doce prazer de sair de minha casa
E me perder

Os infernos da vida vivem dentro de nossas cabeças
E se "o inferno são os outros"
Somos também os outros de alguém

Teremos sobre nossas cabeças a coroa de "sapiens"
crivada de espinhos, abrirá nosso terceiro olho
Já banhado de sangue

Julgamos ambiente nosso meio
Mas quando olhamos no espelho pela manhã
É estranheza que remete

Gado da miséria, é o que somos
Pobres almas buscando aceitação
Somos os filhos da carência
E das inseguranças

Sofremos por males menores
Sem damo-nos conta de que o real sofrimento
Desconhecemos

Tenho dó de quem se diz "zen"
"Zen" noção
"Zen" respeito
"Zen" caráter
Espirro meus dissabores
com sibilos de veneno
Do pouco de letal que tenho, me reservo

Nunca encontrei nesse mundo ser pior
Do que o humano
Sem princípios, sem futuro
Seguimos por aí como pobres esmoleiros
Implorando atenção, uma gota de carinho
E exclusividade

E o que tem de exclusivo nos homens?
O modo como nos ferem
E nas mulheres?
O modo como são feridas

Entre o fiel e o honesto
Fico com o amor

(Saberá ele resolver melhor)

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Âmago do azar
Sou a visão triste
De mim mesma

Revirada nas ternes entranhas do meu ser
Provando os dissabores da vida
E como são amargas as decepções

Eis em mim como um raio de fogo
A última chama
Num mar de cinzas
que eram lágrimas
que secaram

Vos digo "lindo"
Porque és o pouco que me resta de beleza
Na vida

Amargaram-me as tristezas
Só provo do calor do teu abraço
Ás vezes.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sabe-se lá se está vestida, ou dorme transparente.

Tem coisas na vida que não conseguimos fugir, é uma triste realidade, mas há momentos em que temos todas as armas apontadas, prontas para atirar e repelir para sempre aquela ameaça tão tentadora, mas é bem nessa hora que o gatilho falha e caímos na fenda entre nossas decisões. Eu acabo de entrar na fase dos "vinte e poucos anos", mas já tenho um tremendo receio dessa história de me relacionar, porque sei que nada no mundo dá mais problema que se apaixonar. Principalmente se ele for mais velho, principalmente se morar longe e, principalmente-mente se for completamente louco. Mas se não é nada disso, não me interessa. Essa é outra triste realidade que preciso assumir, não sei se é comum de todas as pessoas tenderem sempre ao lado mais infame da coisa, mas pros lados desse coração de geminiana acontece muito. Fui indo durante muito tempo, juntando os pedaços do meu coração na primeira vez em que foi partido, arrumei diversas pessoas para me ajudarem a cuidar dele, cresci, apareci, me apresentei de novo para mim mesma e quando estava absolutamente sólida e certa, vem aquele diabinho lindo com os dentes da frente separados sussurrar no meu ouvido que a vida é linda e que só se tem vinte uma vez. E eu esqueço de esquecer disso e passo a refletir, depois a concordar e quando me dou por conta, estou deitada no meio da madrugada assistindo uma lua cheia majestosa da janela do meu quarto, escorada no braço dele. E aí fudeu tudo! (com o perdão da palavra) O problema todo é que eu não aprendi a brincar com a liberdade, porque mesmo estando livre, leve e solta, dentro de mim a imagem da gaiola começa a me amedrontar. E aí sim estarei total e completamente fodida na vida, apaixonada por um bom vivan que vive sua vida linda em outro estado enquanto me mato de estudar pra quem sabe ser alguém um dia, mas o que me assusta nem é isso, é a vontade que eu sei que vai bater na minha porta de largar tudo e sair correndo pra viver de momento e esquecer o planejamento que passei a vida fazendo, pra viver depois. E também não é nem tanto por isso, mas porque sei que um dia eu vou acordar e o sonho vai ter se desfeito, e eu vou me arrepender amargamente depois. Pensei que nunca ia aprender essa coisa de prever as coisas, de saber, só de olhar, como vai se desvendar tudo na vida. E o que mais me aterroriza, dentre todas essas coisas loucas, é que, nesse momento, quero muito entrar no furacão, fechar meus olhos e só abrir pra ver onde ele me deixou. São ciclos e ciclos se formando e se desfazendo dentro de mim, sumindo no ar, que é nosso elemento. Não posso te dar nome, mas tenho a plena lembrança da sensação que é a tua barba pinicando meu rosto enquanto eu durmo e de todo e qualquer "linda" que tenha ouvido durante os três dias que viraram uma semana, que virou oito dias, que virou uma semente daninha se disfarçando de flor dentro de mim. Penso também que não sei porque penso tanto nisso, me deixa em agonia imaginar uma vida do teu lado e ao mesmo tempo eu sei que isso não daria certo, que provavelmente nem aconteça e eu nem sei também o que se passa dentro da tua cabeça que eu mal conheço. Tenho que admitir que o que me põe em cheque é o tempo que tu me dedicou, toda a pura insistência, a certeza de que nós dois juntos seria ótimo, a descarada certeza disso. E aquele olhar. Ninguém nunca me olhou tão profundamente em toda a minha vida, me senti nua por cinco segundos, como se o universo tivesse ficado mudo naquele instante, só pra gente se olhar. Devo mesmo estar descalcetando da cabeça de vez, eu que já tinha pensado até em trocar de lado, agora ficar escutando mpb e dando uma sambadinha dentro de casa, as coisas mudam, quebrando-se paradigmas.

sábado, 24 de maio de 2014

Todo mundo quer encontrar a extrema ligação, o frênesi espiritual com outro ser, os momentos de amor profundo que te fazem suspirar usando um ar que vem de um lugar do pulmão que você nem sabia que existia. Todos querem ser o casal harmônico, que não briga, que não discute em público, que não sente ciúme, que vive em plena paz de convivência. Todos acham que esse é o casal perfeito, tomam-nos como parâmetro para toda e qualquer relação que venham ter no futuro, projetam ali esperanças do verdadeiro amor. Agora vou contar um segredo: O casal perfeito, quando chega em casa senta-se lado a lado na cama e cada um lê um livro até o sono bater, o casal perfeito cozinha junto numa plena dança de movimentos, sem se tocar. O casal perfeito não se beija na boca de verdade á muito, muito tempo, eles dormem abraçados, mas nenhuma chama arde em seu interior. Quando a mulher do casal perfeito acorda todas as manhãs, ela pensa em beijar o pescoço do homem do casal perfeito, pensa em deslizar suas mãos ainda quentes pelo corpo dele, mas já está cansada de repetir uma tentativa que falhou inúmeras vezes. Quando ela sai do banho, vai até o quarto e tira a toalha vagarosamente, esperando que seu corpo seja acariciado por olhos que a desejam, mas esses mesmos olhos estão fixos no computador, no violão ou num texto de filosofia. Quando eles saem juntos, ela se arruma minunciosamente, enquanto ele espera calmo e tranquilo, sem reclamar da demora. Assim que ela sai do quarto pronta, esperando algo como "você está linda" ou "esse vestido cai bem em você", ouve um apressado "até quem enfim, vamos logo que já estamos atrasados" e ainda assim ela vai. Andam na rua á noite e dezenas de pescoços se entortam para olha-la enquanto os olhos dele vagam pela imensidão do mundo e das coisas que se passam por sua mente sobrecarregada. Arrasta-a pela mão sem olhar para trás, não se importa com os homens que a desejam pois sabe que ela o ama incondicionalmente e, apesar do descaso, jamais o deixaria. A mulher do casal perfeito dá uma cópia da chave do seu apartamento para o homem do casal perfeito, esperançosa de que um dia ele chegue silencioso, abra a porta com cuidado e vá direto para debaixo das cobertas com ela, descobrir as maravilhas que se escondem debaixo da sua saia, transforma-la em uma gatinha manhosa, faze-la sentir-se novamente desejada. Mas ele não vem. A mulher do casal perfeito não demora mais tanto para se arrumar, pois não vê motivos para isso, não se sente mais tão bonita como de costume. O homem do casal perfeito tem um cansaço intrínseco em seu corpo que nem ele mesmo sabe de onde vem, anda sobrecarregado, com a mente á mil. Olha para sua mulher perfeita e a vê exasperada, conversando futilidades e criticando ferozmente todas as outras pessoas no bar, sente-se frustrado, pergunta-se onde andará a mulher por quem se apaixonou. Vai pra casa cansado e só quer dormir e ainda assim tem que lidar com ela, ferida como uma onça braba, discutindo a existência terrestre com a frustração de alguém que descobriu viver num mundo que não é seu. Ele resume-se ao silêncio, ás séries de tv que lhe varrem a madrugada enquanto ela dorme, frustrada, ao seu lado. O homem do casal perfeito achava que era perfeito até perceber, horrorizado, que a mulher perfeita ao seu lado já não era a mesma mulher. A mulher do casal perfeito achava que era perfeito até perceber que o homem que escolheu não era bem o que ela imaginava. O casal perfeito vive em plena harmonia, mas escondem suas frustrações.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Aurora

Hoje sou uma velha conhecida entrando pelo misterioso labirinto das vidas que desconheço, sou um amontoado desajeitado de fragmentos não vividos do universo que resolveram se libertar do abismo que eram as zonas calmas e adentrar timidamente a louca e vil atmosfera do cosmos. Estou no momento mais doloroso da águia, arrancando meu bico antigo e minhas garras enferrujadas para que, apesar de todo o sofrimento, novas armas possam vir. Cheguei á conclusão de que o desconhecido é curioso demais para ser deixado para trás, guardado na gaveta como algo que não interessa, porque me interessa e muito. Há um instante crucial nas nossas vidas, em que a liberdade bate tão forte na porta do estômago que se tu não abrires, te mata. E o que te resta - e me resta - é espiar pela janela e ver que não vai ter jeito mesmo, é hora de fazer as malas e dizer adeus para a velha vida, é hora de arrancar as cascas e afiar o bico novo, porque apesar de lindo, o voo pode ser fatal. Me passam centenas de pessoas, de cenas, momentos e oportunidades e, apesar do medo ser meu maior inimigo, é também a linha tênue que me separa da total insanidade. Hoje eu estou em frente á porta aberta da gaiola que foi minha casa a vida toda, estou no momento do dia em que é cedo para sair e tarde para ficar. Frio na barriga antes da queda livre e meu último vislumbre é a beleza da aurora.

domingo, 11 de agosto de 2013

A mulher mais linda do sistema solar

Num insight de vida eu percebo que há alguém no mundo que me vê exatamente como sou, da forma mais pura e real que alguém pode ser. Percebo que nessa vida cheia de interesses e recompensas,que tenho alguém que me dá tudo sem pedir nada em troca, e vice versa. Penso que ao lado dela, sou quem realmente sou, sem filtros e retoques, falo sem pensar, penso sem ser julgada, sinto amor sem ter que recompensa-la por isso. Entre nós duas, com nossas múltiplas personalidades e inúmeras fases, nos acompanhamos da forma mais natural possível, como uma dança entre duas pessoas que aprenderam a coreografia juntas. Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem nos paralelos do universo, felizmente nós nos encontramos na mais perfeita harmonia, nas consciências sem julgamentos dos sentimentos puros, das palavras certas, dos momentos bons. O que nos une é mais do que um jogo de interesses, não faz parte do mundo de status. Entre nós duas jamais haverá concorrência de nenhuma forma, porque acima de tudo nos respeitamos e nos admiramos profundamente, não só como amigas, mas como os seres humanos que somos. Partilhamos não só os mesmos estranhos gostos por coisas difíceis e que nos mutilam de alguma forma, mas os desgostos pelas artificialidades do mundo, gostamos de profundidades oceânicas e não das possas d'água que vagam ausentes de amor á nossa volta, sugando e sabotando o que é sólido e não se abala. Há amor no que se sustenta, e nós acalentamo-nos e nos damos suporte sempre. Eu, no turbilhão que sou, já dividi o peso dela nas minhas costas por alguns minutos e, por maior e mais pesado que fosse, carregaria-o de igual para igual para sempre se me fosse pedido. E não me resta dúvidas da reciprocidade dos meus sentimentos, a semelhança nos uniu e as diferenças não nos separam, ela extrai de mim o que me há de mais puro: a realidade. "Nós, duas meninas tão polidas, levando uma vida tão lascada", ainda bem que pelo menos estamos juntas e temos uma á outra. Eu te amo.

domingo, 4 de agosto de 2013

Pior irmã do mundo

De tempos em tempos dou-me conta de que já desfiz a maior parte do elo que me une á única pessoa de quem jamais na vida posso me separar. Já perdi as contas das mágoas que causei em teu peito, estas mesmas que me levam o sono e corroem minhas entranhas de remorso noite á dentro. Como posso amar tanto alguém que só sei ferir? Corro como posso, destrambelhada em meus próprios sentimentos, tropeçando em atitudes que me assombram, em decisões que me envergonham, mas que não posso voltar atrás. E nesse meu embaralho de não saber lidar, desloco minhas reações tentando moldar-me ao que te machuque menos, acabo te estraçalhando em pedaços que não posso mais juntar. Se tu tivesses ideia, guria, do amor que por ti carrego, tentarias ser menos turrona com essa irmã que, na tentativa de fazer a coisa certa, acaba sempre errando mais e se perdendo no desespero profundo que é te perder. Por ti eu aguentaria o peso do mundo, deixaria minha loucura de lado para tratar da tua, esqueceria minhas feridas para poder te curar. Eu sei que tenho sido mais torta do que nunca, mas por mais inacreditável que seja, durmo e acordo pensando em mil maneiras de melhorar as coisas. Não pense que eu não sei ou me esqueci que não há pessoa no mundo que ocupe um lugar maior em mim, e por mais desvairado, inconsequente e irresponsável que o meu amor seja, ele é sincero e enorme. Não é o simples fato de termos compartilhado da mesma barriga que engrandece meus sentimentos, foi o teu amor quem fez a parte boa que me habita. Foste tu, com todo o teu destrambelhamento e orgulho, que me amou e me criou desde o princípio. Não gosto de pensar no que eu poderia ter me tornado se tu não estivesse ali o tempo todo para curar minhas feridas, aplaudir minhas vitórias e colocar um band-aid no meu joelho e no meu coração sempre que possível. Nós passamos a vida toda ao lado uma da outra e não consigo acreditar nas coisas que fui capaz de fazer no ápice do meu egoísmo e insanidade. Eu tenho plena consciência de que jamais serei perdoada, de que nada nunca mais será igual e me envergonho da minha covardia diante de tudo isso, da minha incapacidade de ao menos tentar reaver parte do prejuízo que causei. Recolho-me aos aposentos da minha alma suja e mantenho a maior distância possível da tua vida, não porque acho que a casa dos outros é melhor, mas porque acho que a minha casa é melhor sem mim. Não peço perdão porque acho ridículo alguém com meu caráter, alguém que fez as coisas que eu fiz ainda desejar um perdão que não merece. Eu só queria poder te mostrar ao menos uma vez nas nossas vidas o tamanho do amor, admiração, respeito e necessidade que eu tenho de ti, do teu carinho atrapalhado, da tua voz de comando e do horizonte que tu me dá. Eu queria um dia na vida voltar ao dia em que fiz 17 anos e escrever tudo diferente, mudar o script de uma vida incrível que eu destruí. Eu queria poder te pedir perdão sem ter vergonha, reaver ao menos em parte tudo o que eu joguei pela janela sem medir as consequências, eu queria que nós duas deixássemos de ser irmã para tornarmos a ser amigas. Eu queria ainda ser a parte responsável de nós duas numa tarde muito louca de festival e ver o sol se pôr tranquila, para depois voltar para casa e ter de volta a vida pacata de quem tem família, de quem tem irmã.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Alien funcional

Ele acha que eu vivo em um mundo paralelo por não ver o real, acontece que eu vejo o mundo real, ele apenas não me agrada. Viver no meu próprio mundo evita muitas crises existenciais, não da minha existência, mas da existência alheia. Enquanto eu esperar por pessoas especiais em momentos especiais, terei pelo que aguardar ansiosamente. E mesmo que os julgados especiais venham a me machucar, ao menos é emoção. A intensidade me fascina muito mais do que a longevidade dos relacionamentos. Só que ele acha que por não ver o mundo como ele é, vou sofrer. Acontece que eu seria imensamente infeliz se fizesse as malas do meu "wonderland" particular e me mudasse de vez para esse mundo cinza. O mundo real é decepcionante, é como beber na roda para tornar os amigos que eu não tenho mais interessantes. De vez em quando acordo de manhã e percebo que acordei em uma realidade que se impôs pra mim de forma que eu não possa fugir. Esses dias me dão vontade de chorar, é como estar na ponta de um imenso abismo, esperando pela liberdade do voo sob os olhares atentos de uma multidão sedenta de sofrimento. Eu disse: "não tenho amigos de verdade". Ele disse: "tu não sabes escolher." Mas as pessoas que talvez fossem bons amigos para qualquer um não me são de grande ajuda. A intensidade é algo cativante, não me agradam meios-termos, apesar dos intensos sempre acabarem por magoar a si e aos outros. O problema de se ter um universo particular é a solidão, já que normalmente quando convidamos alguém para entrar, temos nossos convite educadamente recusado, os racionais preferem viver em um coletivo mundo real á ficarem sozinhos. Cada dia que passa me sinto mais como um alienígena funcional vivendo em um universo paralelo porque a vida real é entediante demais. - Baseado em uma conversa entre geminianas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Transforma, transmuta, transcende.

Tem muito tempo, o verão era a luz do teu sorriso. Todos dos dias eu ainda penso no que me tornei, pra mim e pra ti. Peno na leveza do teu olhar que me amava da cabeça aos pés, na tua dança que, exuberante, me mostrava o teu amor e o teu contentamento sobre tudo que me cercava. Lembro de pedir baixinho ao cosmos pra nunca te tirar do meu lado e pra tu sempre ser o mesmo cavalheiro gentil, honesto e bondoso que eu conheci com as mãos lambuzadas de protetor solar. Ainda me questiono, complexa, como fui capaz de me descuidar e ferir tão brutalmente parte tão importante do meu legado de amor. Ser humana ás vezes acarreta mais revezes do que imaginamos. Sem maires direitos perante o teu semblante, que hoje faz questão de me evitar, mantenho-me inquieta por me fazer presente outra vez. Penso que hoje as palavras fluem como uma navalha afiada, rasgando em tinta as páginas do meu arquivo de memórias, escrevendo sem hesitações a respeito dos teus olhos castanhos, teus mil talentos e teu bom coração. Nunca esqueci de nós dois numa rede que pingava água, no calor mais úmido de todos os tempos, quando meus olhos quase se fechavam de lisergia e te disseram "eu não te adoro, eu te amo". Ainda hoje tenho a mesma opinião daquele dia, tu segues sendo pra mim parte importante do meu coração, apesar de suspeitares que já não possuo um. Gostaria que o poder do teu talento pudesse também consertar tuas feridas, e até mesmo cortaria minhas unhas para que elas não pudessem mais perfurar nenhuma camada do que te machuca, acontece que te ver de novo bem na minha frente foi como dar açúcar á minha boca e ácido ao meu coração. Não houve um só dia em que eu não pensasse com ternura no que passou, nos momentos mais felizes que alguém já me proporcionou, nas pequenas esferas de bons pensamentos que me deixaste, nos momentos eternos que assistimos juntos. Tanto tempo depois eu só queria poder tirar o que dói em ti e fazer doer em mim, qualquer dor é insuportável quando fomos nós quem causamos, e eu convivo com a tua ardendo em mim constantemente. Eu só queria poder ainda ter nos meus dias as tuas mãos mais lindas do mundo afagando meus cabelos, me ensinando malabares ou um ponto novo de macramê. Queria que o teu amor não demorasse a se transformar no que quer que venha a seguir, pudesse finalmente sofrer a mutação necessária para que nossas almas, tão profundamente conectadas, pudessem enfim desfrutar de uma ligação saudável de carinho e compreensão. Não importa o que fizemos errado, o que escolhemos de torto, as decisões que não eram certas, onde uma vez houve amor, sempre haverá. Independente do que se transforme, transmute e transcenda, o que é puro permanece.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O cogumelo

Outro dia me disseram que eu faço tudo do teu jeito, de acordo com as tuas vontades, mas o que ninguém sabe é que as tuas vontades são também as minhas vontades, que os teus medos e anseios partilham cada minuto de dúvida comigo. Faço tudo do teu jeito mesmo, meio cogumelesco, brotando ideias a se compartilhar. É estranho que ainda hajam algumas pessoas que demorem a perceber que a nossa conexão é bem maior que esse mundo, que esse amor manjado que todos conhecem. Nós dois somos diferentes de tudo que habita esse solo já não tão sagrado. Meu coração era um cogumelo escondido dentro da Terra, temendo a luz do sol na superfície, o horror da vida no mundo lá fora, mas então tu chegaste com a delicadeza de um artista e cantou a canção mais bonita, me fazendo surgir do escuro diretamente para uma claridade equilibrada e ao mesmo tempo ofuscante. Meu coração era o cogumelo que tu comeste numa tarde de sol, o meu amor é a tua psicodelia, o teu amor me mostrou as profundezas do ser, do sentir, do pensar, do querer. A maior experiência psicodélica que eu tive na vida foram os teus beijos, os teus braços e abraços que me transportam para um mundo onde o mal não existe. E cada vez que eu penso na existência plena de nós dois nesse mundo caótico, eu penso que enquanto estiveres aqui, estarei segura. Não sei se é a magnitude dos teu olhar, ou o encantamento do teu sorriso torto, talvez seja o tom de voz sempre tão calmo, mas algo no teu ser desperta bondade em mim. Todos os dias eu penso que, se existisse alguma beleza no imenso vazio que há ao redor de Deus, seria o verde dos teus olhos que, quando penetra nos meus, bota o eixo do mundo no lugar, me faz entender o sentido da vida, me faz querer viver, apesar de tudo.

domingo, 15 de julho de 2012

A outra parte

Outro dia me perguntaram a quanto tempo estávamos juntos e me dei conta de que essa é a única resposta a nosso respeito que eu não tenho. Não lembro quanto tempo faz, talvez porque eu não tenha muitas lembranças de como a vida era antes dos teus olhos verdes. Mas lembro nitidamente do longo caminho que eu passei pra chegar até aqui, lembro do quanto doeu, do quanto eu senti, de quantas palavras eu não disse pra que se tornassem lágrimas, porque precisavam chorar. Quantas noites não dormi pensando nas tuas mãos, tentando encontrar algum sinal oculto do teu corpo que me dissesse que sim, que tu estavas ciente da nossa ligação desde o começo, que também viu o brilho dos meus olhos. Me lembro do Polo Norte inteiro no meu estômago quando te via chegar, das formigas pelo corpo quando se aproximava de mim, das minhas mãos sempre te tateando no espaço vazio entre nós. Lembro também do quanto todo esse tempo me ensinou a respeito de paciência, respeito, orgulho e redenção, porque tu foste o primeiro a me tirar do pedestal, o primeiro com quem minhas melhores armas não tinham utilidade nenhuma. Pela primeira vez na minha vida, eu não soube o que fazer, eu achei que não conseguiria. Mas aí entra a parte da paciência e da redenção, que me deram uma aula sobre mim mesma, extraindo as coisas ruins, reproduzindo as boas, contaminando de energia e de luz o meu caminho. E quando eu abaixei todas as armas, despi todos os meus pudores, desacreditei de todos os meus atributos e dei-me por vencida, tu vieste por ti mesmo e dominaste e te deixaste dominar por tudo o que sentíamos um pelo outro desde o momento inicial, quando nossa alma se repartiu em dois pedaços que foram jogados no mundo. A união dos pedaços perdidos de uma alma é uma profecia que se cumpre, um aprendizado que começa. E todos os dias eu aprendo a te aceitar e te entender, aprendo ainda mais sobre paciência e me permito não querer mais controlar tudo, me permito perder-me na imensidão de luz que são teus olhos, no mar de conforto que são teus abraços. Penso que todo o tempo que passei te esperando fazia parte do plano, aprender a lidar antes de possuir é uma lição importante para qualquer aspecto da vida e hoje vejo que nada poderia ter sido diferente, porque cada momento de tristeza, cada coisa que deu errado, serviu pra que se transformasse numa felicidade sem tamanho quando a jornada fosse cumprida. Eu passei todas as fases, enfrentei todos os perigos, destilei todo o meu sangue nessa complicada missão, porque eu sabia que no fim da estrada não teria dinheiro, não teria poder, não teria fama, no fim da minha estrada eu só vejo um par de olhos verdes me esperando pra partir. São muitas palavras, mas nenhuma delas explica a sensação de quando estamos completamente conectados, com um fluxo perfeito de energia, numa troca total de tudo o que há de bom dentro das nossas existências. É como se, por alguma razão desconhecida, minha alma habitasse dois corpos que, quando se encontram, colocam o eixo do mundo no lugar. Obrigada por descomplicar minha existência e me explicar que existir é importante, que o amor é importante.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O mundo é mesmo um lugar injusto, passei tanto tempo esperando que os problemas e obstáculos do meu caminho de afastassem para que teus olhos mais lindos do mundo pudessem, finalmente, refletir os meus. Fiz planos, rompi barreiras, desarmei os inimigos e fiz das tripas coração para te manter vivo, te manter meu. E quando a tempestade passou e o céu se abriu sobre nossas cabeças o mais formoso arco-íris abençoou nosso amor, e todos os momentos em que fui feliz misturaram-se com o perfume dos teus beijos. Não houveram mais pesadelos que ameaçassem meu sono, pois todas as noites eu ouvia de ti "sonhe coisas boas", como uma mensagem subliminar dizendo "acalme seu coração, amanhã estarei aqui". As coisas ficaram ruins outra vez, mas agora é diferente, pois o baobá que plantaste em mim está mais firme, forte, nutrido e promissor do que nunca. Ainda que a decisão mais difícil da minha vida assombre meus pensamentos a cada segundo do meu dia, não há nada que me faça abrir mão do teu cheirinho de sono todas as manhãs. Não existe dor nesse mundo que o teu abraço não cure, que a tua praticidade não resolva. Trabalhaste em mim a menina mimada e insegura que queria mandar o mundo para o inferno só para atender aos próprios caprichos. Te esperando me ensinaste a ter paciência com a vida e na simplicidade das tuas escolhas mataste meu ego, despindo-me de pudor. Todos os dias eu penso que á muito percebi que sou eu quem não vai te deixar fazer nenhuma burrada nessa vida e que o equilíbrio do meu ser é Bento, como um cristal. Nós seremos felizes, por isso vem,conversemos através da alma, revelemos um para o outro o que é secreto aos olhos e ouvidos, sem mostrar os dentes sorri pra mim, como um botão de rosa. Olha nos meus olhos que eu digo que te amo, sem que ouças o som da minha voz.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Mais uma vez me pego sentada em posição de dama, com as pernas cruzadas e as víceras em profana confusão. Tu sentavas logo mais na minha frente e as minhas mãos formigavam incessantemente, lembrando do cheiro maravilhoso que a tua pele tem, um cheiro próprio, mistura de tabaco, marijuana e suor. E nos momento em que te observo, penso que encheria meu quarto e o teu se fosse sólido o que eu sinto, e é nessas horas que, desejando dar um murro na minha própria cara, divirto-me com a possibilidade de ir pro inferno por sua causa. A realidade do presente é um latifúndio cruel e enlouquecedor, foi a partir dele que descobri que o presente é só o momento em que passado e futuro se beijam e então seguimos para algum lugar. Mas com calma percebo que a estação já vai mudar, levando algumas coisas e trazendo outras tantas para dentro de nós. Tu sabes, a desordem é tenaz, tantos laços, tantas amarras, os controles e pretensões, nada adianta se o vento não soprar. Tenho todas as armas de que preciso para me defender dos possíveis machucados que estes teus olhos verdes possam me causar, mas lamento a incompetência da minha força de vontade, que transforma todos os meus anseios em desejos masoquistas toda vez em que vais embora dizendo que és o cara que não vai me dar nada, sendo que já me destes coisas a ponto de me transbordar. Te desvendo um pouco mais a cada segundo que passa e quanto mais passa, mais percebo que não cheguei nem mesmo na metade do caminho e a tua ausência tem gosto de preto e branco, me engole e mastiga em todas as despedidas. Um arrepio na nuca e eu queria cristalizar o momento de todos os nossos beijos, que sempre tem um quê ofegante de primeira vez, mas estou em alta velocidade e não sei se devo ir adiante, só que não tenho opção. Acho que é isso, eu tinha opção e optei pelo fascínio do errado, não consigo mais parar esse trem.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Como as borboletas

Quando eu tinha oito anos ouvi falar que as mulheres eram iguais ás borboletas e fiquei me perguntando o sentido daquela comparação. Passei anos sempre perguntando para qualquer adulto que fosse o que, afinal, tinham a ver as mulheres e as borboletas. Sempre me respondiam que eu era pequena demais, que quando crescesse entenderia. Cresci observando cada par de asas coloridas ou lisas, luminosas, cheias de desenhos, cores e texturas e percebi que muito tinham a ver com as tantas saias rodadas que eram moda naquela época, de tecidos leves e esvoaçantes. Observei a delicadeza que elas tinham ao voar lentamente ao redor das pessoas e das árvores e também reparei o quanto se assemelhavam aos movimentos femininos, sempre cuidadosos, medidos e delicados. Cresci me comparando ás borboletas, com elas no ar ou no estômago, eu estava sempre ali analisando. Passei por um milhão de transformações por dentro e por fora de mim constantemente, transmutei-me em tantas coisas que por vezes nem me reconheci mais. Ser borboleta é mais difícil que ser gente, porque as borboletas vivem livres e nunca erram. E depois de milhares de cabelos, unhas, roupas e frios no estômago, despi todos os meus personagens e descobri, finalmente, quem eu era. Aprendi, por fim, o significado daquele provérbio. Aos dezoito anos eu entendi uma coisa que muita gente despreza: que é da larva feia que nasce a borboleta linda. Toda mulher é linda, toda mulher merece o mundo aos seus pés quando acorda de manhã. Feliz dia Internacional da Mulher. Um mais que especial pra minha mãe, linda! Te amo♥

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Agridoce.

Tenho estado num eterno fim de tarde, quando é cedo para sair pra dançar e tarde para curtir o sol. Percebo-me estranha nesse exato momento, porque apesar de desacreditar em tudo ao meu redor, ainda sonho alguns sonhos bons. Não sei se algum dia estarei pronta para viver um relacionamento outra vez, mas é exatamente no momento em que se tem todas as armas prontas para atirar que o gatilho não funciona. São centenas de milhares de mágoas e feridas guardadas em caixas e gavetas dentro de mim, separadas de todas as coisas boas que já fiz e vivi na vida, mas é tudo tão diferente... A felicidade é bastante egoísta, se você for analisar friamente. Quando ela te agracia, destrói o amor de outra pessoa sempre, independente de quem seja. Não há como sermos todos felizes. E o mundo continua nessa batalha incessante por algum feixe de luz no fim do túnel, numa corrida alucinada por qualquer coisa que faça seus corações vibrarem e por isso saem atropelando a tudo e a todos. No meio dessa escuridão tão clara e tão absolutamente visível encontrei boas pessoas e viví bons momentos, porém nada que fosse duradouro e concreto. Viver de sonhos é bastante cansativo, afinal. Depois de fantasiar mil e uma noites com alguém, você acorda e vê que tudo não passa de possibilidades, coisas que talvez nunca aconteçam. Quantas vezes vou me apaixonar e desapaixonar na vida? Quando alguém, realmente, vai me transbordar? Cada um é diferente na sua essência e é isso que complica tanto a relação entre seres humanos. Já me peguei diversas vezes criando possibilidades com um certo par de olhos verdes e tantas outras me perguntei "por que, Deus, por que não deu certo com aquele basilisco?!". Ninguém sabe, afinal, de onde viemos, pra onde vamos ou mesmo qual é o nosso propósito nesse lugar, mas eu sei que somos muito pequenos diante de tudo que somos capazes de sentir. O amor é uma monstruosidade que acontece uma ou pouquíssimas vezes na vida e, apesar de minha pouca idade, sei que já amei alguém e sei o quanto isso é destrutivo. Amar é abrir mão, é dispor-se a muitas coisas sem querer nada em troca e disso eu morro de medo todos os dias. Não, eu não quero amar de novo, muito obrigada, já alcancei meu limite de cicatrizes por essa encarnação e pela próxima. Mas não hei de ficar sozinha pra sempre. A questão final de tudo é o modo como lidamos conosco e com os outros. Sempre seremos feridos, estraçalhados e atirados na salmora, mas será que isso é para a vida toda? Passo noites em claro pensando na solidão que me rodeia e ainda assim não encontro nenhuma solução para o mundo de problemas que carrego nas minhas costas. Eu sei que lá no fundo, há tanta beleza no mundo (!), eu só queria enxergar. Gostaria muito de me ver de fora, observar todos os meus movimentos e descobrir de uma vez por todas o que há de errado comigo e com meu coração que tem a mania de ser mais volúvel e bipolar do que três geminianas juntas. Talvez eu seja, enfim, o problema e não haja nenhuma solução plausível para meu destempero emocional eterno, mas o que não me deixa perder as esperanças é que eu já consegui uma vez e, sendo assim, posso conseguir de novo. A diferença é que quando se tem quinze anos e alguém diz que te ama, você acredita. Por mais maravilhoso que seja, tudo tem seu prazo de validade. Eu gostaria muito de vir aqui e dizer que, sim, vou namorar, casar e ter um batalhão de filhos, mas isso será plenamente impossível até o momento em que acontecer de novo: até eu olhar pra alguém que possa ser meu e sentir as mãos formigando, os olhos enchendo d'água, minhas borboletas do estômago ressucitando e, enfim, começaremos tudo outra vez...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Trance(nder)

São centenas de milhares de sentimentos, flash's de luz, sorrisos misturados a batidas, música dentro do seu coração. É a legítima sensação de não existir amanhã, de não importar o depois, de não suportar a ideia de que aquilo um dia vai ter fim. São seus pés imundos e descalços dos sapatos que cansaram de dançar, são pessoas batendo seus pés e mãos na terra como em um ritual de harmonia, respeito e renovação da alma. Há não muito tempo eu descobri um lugar mágico, um lugar onde tudo é real, desde a vista até as pessoas. Nesse lugar a natureza impera e o sol é o astro rei, aplaudido em pé por milhares de pessoas reunidas com um só intuito: transcender. Nesse lugar pouco importa se você tem ou não dinheiro, casa, carro ou bens materiais, não importa sua cor ou credo, desde que você também esteja lá, cedendo sua energia para que se misture com as outras e forme a atmosfera de luz que se cria em torno da pista. Depois de frequentar esse lugar tão especial algumas vezes, descobri que o mal jamais chega até lá, que as pessoas só emanam bons sentimentos e que é proibido o desrespeito, seja com uma pessoa, com um animal ou com uma planta. A música não requer instrumentos, muito menos banda. Basta um homem, aquele que nos controlará como marionetes por pouco mais, pouco menos de uma hora. Aquela pessoa está ali se dispondo a ajudar a todos os outros na sua jornada pelo mundo da lisergia e ele sabe que é responsável por cada vibração boa ou ruim que sair de seus beats. Mas esse lugar de paz, amor, harmonia e respeito vem sendo invadido e condenado pela mídia preconceituosa do nosso país. Somos julgados pelo nosso modo de vestir, de dançar, pela nossa música e pela nossa cultura que não faz nem nunca fez mal nenhum á ninguém. Somos seres de luz, que aprenderam a se libertar desse materialismo insustentável que vem tomando conta do nosso planeta. Apenas queremos um lugar bonito e preservado, longe da selva de pedra diária para que possamos descarregar nossas energias pesadas na grama, para que elas sejam filtradas e voltem á nós transformadas em amor! Enquanto bêbados saem ao volante, maníacos mutilam crianças e milhares de pessoas morrem de fome todos os dias, nosso governo e nossas redes sociais estão mais preocupados em condenar um grupo de pessoas que ouve um som tribal e dança descalço. Brasil, você não era um país de todos? "E aqueles que foram vistos dançando foram julgados loucos pelos que não podiam ouvir a música."