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quarta-feira, 12 de março de 2014

Aurora

Hoje sou uma velha conhecida entrando pelo misterioso labirinto das vidas que desconheço, sou um amontoado desajeitado de fragmentos não vividos do universo que resolveram se libertar do abismo que eram as zonas calmas e adentrar timidamente a louca e vil atmosfera do cosmos. Estou no momento mais doloroso da águia, arrancando meu bico antigo e minhas garras enferrujadas para que, apesar de todo o sofrimento, novas armas possam vir. Cheguei á conclusão de que o desconhecido é curioso demais para ser deixado para trás, guardado na gaveta como algo que não interessa, porque me interessa e muito. Há um instante crucial nas nossas vidas, em que a liberdade bate tão forte na porta do estômago que se tu não abrires, te mata. E o que te resta - e me resta - é espiar pela janela e ver que não vai ter jeito mesmo, é hora de fazer as malas e dizer adeus para a velha vida, é hora de arrancar as cascas e afiar o bico novo, porque apesar de lindo, o voo pode ser fatal. Me passam centenas de pessoas, de cenas, momentos e oportunidades e, apesar do medo ser meu maior inimigo, é também a linha tênue que me separa da total insanidade. Hoje eu estou em frente á porta aberta da gaiola que foi minha casa a vida toda, estou no momento do dia em que é cedo para sair e tarde para ficar. Frio na barriga antes da queda livre e meu último vislumbre é a beleza da aurora.

domingo, 11 de agosto de 2013

A mulher mais linda do sistema solar

Num insight de vida eu percebo que há alguém no mundo que me vê exatamente como sou, da forma mais pura e real que alguém pode ser. Percebo que nessa vida cheia de interesses e recompensas,que tenho alguém que me dá tudo sem pedir nada em troca, e vice versa. Penso que ao lado dela, sou quem realmente sou, sem filtros e retoques, falo sem pensar, penso sem ser julgada, sinto amor sem ter que recompensa-la por isso. Entre nós duas, com nossas múltiplas personalidades e inúmeras fases, nos acompanhamos da forma mais natural possível, como uma dança entre duas pessoas que aprenderam a coreografia juntas. Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem nos paralelos do universo, felizmente nós nos encontramos na mais perfeita harmonia, nas consciências sem julgamentos dos sentimentos puros, das palavras certas, dos momentos bons. O que nos une é mais do que um jogo de interesses, não faz parte do mundo de status. Entre nós duas jamais haverá concorrência de nenhuma forma, porque acima de tudo nos respeitamos e nos admiramos profundamente, não só como amigas, mas como os seres humanos que somos. Partilhamos não só os mesmos estranhos gostos por coisas difíceis e que nos mutilam de alguma forma, mas os desgostos pelas artificialidades do mundo, gostamos de profundidades oceânicas e não das possas d'água que vagam ausentes de amor á nossa volta, sugando e sabotando o que é sólido e não se abala. Há amor no que se sustenta, e nós acalentamo-nos e nos damos suporte sempre. Eu, no turbilhão que sou, já dividi o peso dela nas minhas costas por alguns minutos e, por maior e mais pesado que fosse, carregaria-o de igual para igual para sempre se me fosse pedido. E não me resta dúvidas da reciprocidade dos meus sentimentos, a semelhança nos uniu e as diferenças não nos separam, ela extrai de mim o que me há de mais puro: a realidade. "Nós, duas meninas tão polidas, levando uma vida tão lascada", ainda bem que pelo menos estamos juntas e temos uma á outra. Eu te amo.

domingo, 4 de agosto de 2013

Pior irmã do mundo

De tempos em tempos dou-me conta de que já desfiz a maior parte do elo que me une á única pessoa de quem jamais na vida posso me separar. Já perdi as contas das mágoas que causei em teu peito, estas mesmas que me levam o sono e corroem minhas entranhas de remorso noite á dentro. Como posso amar tanto alguém que só sei ferir? Corro como posso, destrambelhada em meus próprios sentimentos, tropeçando em atitudes que me assombram, em decisões que me envergonham, mas que não posso voltar atrás. E nesse meu embaralho de não saber lidar, desloco minhas reações tentando moldar-me ao que te machuque menos, acabo te estraçalhando em pedaços que não posso mais juntar. Se tu tivesses ideia, guria, do amor que por ti carrego, tentarias ser menos turrona com essa irmã que, na tentativa de fazer a coisa certa, acaba sempre errando mais e se perdendo no desespero profundo que é te perder. Por ti eu aguentaria o peso do mundo, deixaria minha loucura de lado para tratar da tua, esqueceria minhas feridas para poder te curar. Eu sei que tenho sido mais torta do que nunca, mas por mais inacreditável que seja, durmo e acordo pensando em mil maneiras de melhorar as coisas. Não pense que eu não sei ou me esqueci que não há pessoa no mundo que ocupe um lugar maior em mim, e por mais desvairado, inconsequente e irresponsável que o meu amor seja, ele é sincero e enorme. Não é o simples fato de termos compartilhado da mesma barriga que engrandece meus sentimentos, foi o teu amor quem fez a parte boa que me habita. Foste tu, com todo o teu destrambelhamento e orgulho, que me amou e me criou desde o princípio. Não gosto de pensar no que eu poderia ter me tornado se tu não estivesse ali o tempo todo para curar minhas feridas, aplaudir minhas vitórias e colocar um band-aid no meu joelho e no meu coração sempre que possível. Nós passamos a vida toda ao lado uma da outra e não consigo acreditar nas coisas que fui capaz de fazer no ápice do meu egoísmo e insanidade. Eu tenho plena consciência de que jamais serei perdoada, de que nada nunca mais será igual e me envergonho da minha covardia diante de tudo isso, da minha incapacidade de ao menos tentar reaver parte do prejuízo que causei. Recolho-me aos aposentos da minha alma suja e mantenho a maior distância possível da tua vida, não porque acho que a casa dos outros é melhor, mas porque acho que a minha casa é melhor sem mim. Não peço perdão porque acho ridículo alguém com meu caráter, alguém que fez as coisas que eu fiz ainda desejar um perdão que não merece. Eu só queria poder te mostrar ao menos uma vez nas nossas vidas o tamanho do amor, admiração, respeito e necessidade que eu tenho de ti, do teu carinho atrapalhado, da tua voz de comando e do horizonte que tu me dá. Eu queria um dia na vida voltar ao dia em que fiz 17 anos e escrever tudo diferente, mudar o script de uma vida incrível que eu destruí. Eu queria poder te pedir perdão sem ter vergonha, reaver ao menos em parte tudo o que eu joguei pela janela sem medir as consequências, eu queria que nós duas deixássemos de ser irmã para tornarmos a ser amigas. Eu queria ainda ser a parte responsável de nós duas numa tarde muito louca de festival e ver o sol se pôr tranquila, para depois voltar para casa e ter de volta a vida pacata de quem tem família, de quem tem irmã.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Alien funcional

Ele acha que eu vivo em um mundo paralelo por não ver o real, acontece que eu vejo o mundo real, ele apenas não me agrada. Viver no meu próprio mundo evita muitas crises existenciais, não da minha existência, mas da existência alheia. Enquanto eu esperar por pessoas especiais em momentos especiais, terei pelo que aguardar ansiosamente. E mesmo que os julgados especiais venham a me machucar, ao menos é emoção. A intensidade me fascina muito mais do que a longevidade dos relacionamentos. Só que ele acha que por não ver o mundo como ele é, vou sofrer. Acontece que eu seria imensamente infeliz se fizesse as malas do meu "wonderland" particular e me mudasse de vez para esse mundo cinza. O mundo real é decepcionante, é como beber na roda para tornar os amigos que eu não tenho mais interessantes. De vez em quando acordo de manhã e percebo que acordei em uma realidade que se impôs pra mim de forma que eu não possa fugir. Esses dias me dão vontade de chorar, é como estar na ponta de um imenso abismo, esperando pela liberdade do voo sob os olhares atentos de uma multidão sedenta de sofrimento. Eu disse: "não tenho amigos de verdade". Ele disse: "tu não sabes escolher." Mas as pessoas que talvez fossem bons amigos para qualquer um não me são de grande ajuda. A intensidade é algo cativante, não me agradam meios-termos, apesar dos intensos sempre acabarem por magoar a si e aos outros. O problema de se ter um universo particular é a solidão, já que normalmente quando convidamos alguém para entrar, temos nossos convite educadamente recusado, os racionais preferem viver em um coletivo mundo real á ficarem sozinhos. Cada dia que passa me sinto mais como um alienígena funcional vivendo em um universo paralelo porque a vida real é entediante demais. - Baseado em uma conversa entre geminianas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Transforma, transmuta, transcende.

Tem muito tempo, o verão era a luz do teu sorriso. Todos dos dias eu ainda penso no que me tornei, pra mim e pra ti. Peno na leveza do teu olhar que me amava da cabeça aos pés, na tua dança que, exuberante, me mostrava o teu amor e o teu contentamento sobre tudo que me cercava. Lembro de pedir baixinho ao cosmos pra nunca te tirar do meu lado e pra tu sempre ser o mesmo cavalheiro gentil, honesto e bondoso que eu conheci com as mãos lambuzadas de protetor solar. Ainda me questiono, complexa, como fui capaz de me descuidar e ferir tão brutalmente parte tão importante do meu legado de amor. Ser humana ás vezes acarreta mais revezes do que imaginamos. Sem maires direitos perante o teu semblante, que hoje faz questão de me evitar, mantenho-me inquieta por me fazer presente outra vez. Penso que hoje as palavras fluem como uma navalha afiada, rasgando em tinta as páginas do meu arquivo de memórias, escrevendo sem hesitações a respeito dos teus olhos castanhos, teus mil talentos e teu bom coração. Nunca esqueci de nós dois numa rede que pingava água, no calor mais úmido de todos os tempos, quando meus olhos quase se fechavam de lisergia e te disseram "eu não te adoro, eu te amo". Ainda hoje tenho a mesma opinião daquele dia, tu segues sendo pra mim parte importante do meu coração, apesar de suspeitares que já não possuo um. Gostaria que o poder do teu talento pudesse também consertar tuas feridas, e até mesmo cortaria minhas unhas para que elas não pudessem mais perfurar nenhuma camada do que te machuca, acontece que te ver de novo bem na minha frente foi como dar açúcar á minha boca e ácido ao meu coração. Não houve um só dia em que eu não pensasse com ternura no que passou, nos momentos mais felizes que alguém já me proporcionou, nas pequenas esferas de bons pensamentos que me deixaste, nos momentos eternos que assistimos juntos. Tanto tempo depois eu só queria poder tirar o que dói em ti e fazer doer em mim, qualquer dor é insuportável quando fomos nós quem causamos, e eu convivo com a tua ardendo em mim constantemente. Eu só queria poder ainda ter nos meus dias as tuas mãos mais lindas do mundo afagando meus cabelos, me ensinando malabares ou um ponto novo de macramê. Queria que o teu amor não demorasse a se transformar no que quer que venha a seguir, pudesse finalmente sofrer a mutação necessária para que nossas almas, tão profundamente conectadas, pudessem enfim desfrutar de uma ligação saudável de carinho e compreensão. Não importa o que fizemos errado, o que escolhemos de torto, as decisões que não eram certas, onde uma vez houve amor, sempre haverá. Independente do que se transforme, transmute e transcenda, o que é puro permanece.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O cogumelo

Outro dia me disseram que eu faço tudo do teu jeito, de acordo com as tuas vontades, mas o que ninguém sabe é que as tuas vontades são também as minhas vontades, que os teus medos e anseios partilham cada minuto de dúvida comigo. Faço tudo do teu jeito mesmo, meio cogumelesco, brotando ideias a se compartilhar. É estranho que ainda hajam algumas pessoas que demorem a perceber que a nossa conexão é bem maior que esse mundo, que esse amor manjado que todos conhecem. Nós dois somos diferentes de tudo que habita esse solo já não tão sagrado. Meu coração era um cogumelo escondido dentro da Terra, temendo a luz do sol na superfície, o horror da vida no mundo lá fora, mas então tu chegaste com a delicadeza de um artista e cantou a canção mais bonita, me fazendo surgir do escuro diretamente para uma claridade equilibrada e ao mesmo tempo ofuscante. Meu coração era o cogumelo que tu comeste numa tarde de sol, o meu amor é a tua psicodelia, o teu amor me mostrou as profundezas do ser, do sentir, do pensar, do querer. A maior experiência psicodélica que eu tive na vida foram os teus beijos, os teus braços e abraços que me transportam para um mundo onde o mal não existe. E cada vez que eu penso na existência plena de nós dois nesse mundo caótico, eu penso que enquanto estiveres aqui, estarei segura. Não sei se é a magnitude dos teu olhar, ou o encantamento do teu sorriso torto, talvez seja o tom de voz sempre tão calmo, mas algo no teu ser desperta bondade em mim. Todos os dias eu penso que, se existisse alguma beleza no imenso vazio que há ao redor de Deus, seria o verde dos teus olhos que, quando penetra nos meus, bota o eixo do mundo no lugar, me faz entender o sentido da vida, me faz querer viver, apesar de tudo.

domingo, 15 de julho de 2012

A outra parte

Outro dia me perguntaram a quanto tempo estávamos juntos e me dei conta de que essa é a única resposta a nosso respeito que eu não tenho. Não lembro quanto tempo faz, talvez porque eu não tenha muitas lembranças de como a vida era antes dos teus olhos verdes. Mas lembro nitidamente do longo caminho que eu passei pra chegar até aqui, lembro do quanto doeu, do quanto eu senti, de quantas palavras eu não disse pra que se tornassem lágrimas, porque precisavam chorar. Quantas noites não dormi pensando nas tuas mãos, tentando encontrar algum sinal oculto do teu corpo que me dissesse que sim, que tu estavas ciente da nossa ligação desde o começo, que também viu o brilho dos meus olhos. Me lembro do Polo Norte inteiro no meu estômago quando te via chegar, das formigas pelo corpo quando se aproximava de mim, das minhas mãos sempre te tateando no espaço vazio entre nós. Lembro também do quanto todo esse tempo me ensinou a respeito de paciência, respeito, orgulho e redenção, porque tu foste o primeiro a me tirar do pedestal, o primeiro com quem minhas melhores armas não tinham utilidade nenhuma. Pela primeira vez na minha vida, eu não soube o que fazer, eu achei que não conseguiria. Mas aí entra a parte da paciência e da redenção, que me deram uma aula sobre mim mesma, extraindo as coisas ruins, reproduzindo as boas, contaminando de energia e de luz o meu caminho. E quando eu abaixei todas as armas, despi todos os meus pudores, desacreditei de todos os meus atributos e dei-me por vencida, tu vieste por ti mesmo e dominaste e te deixaste dominar por tudo o que sentíamos um pelo outro desde o momento inicial, quando nossa alma se repartiu em dois pedaços que foram jogados no mundo. A união dos pedaços perdidos de uma alma é uma profecia que se cumpre, um aprendizado que começa. E todos os dias eu aprendo a te aceitar e te entender, aprendo ainda mais sobre paciência e me permito não querer mais controlar tudo, me permito perder-me na imensidão de luz que são teus olhos, no mar de conforto que são teus abraços. Penso que todo o tempo que passei te esperando fazia parte do plano, aprender a lidar antes de possuir é uma lição importante para qualquer aspecto da vida e hoje vejo que nada poderia ter sido diferente, porque cada momento de tristeza, cada coisa que deu errado, serviu pra que se transformasse numa felicidade sem tamanho quando a jornada fosse cumprida. Eu passei todas as fases, enfrentei todos os perigos, destilei todo o meu sangue nessa complicada missão, porque eu sabia que no fim da estrada não teria dinheiro, não teria poder, não teria fama, no fim da minha estrada eu só vejo um par de olhos verdes me esperando pra partir. São muitas palavras, mas nenhuma delas explica a sensação de quando estamos completamente conectados, com um fluxo perfeito de energia, numa troca total de tudo o que há de bom dentro das nossas existências. É como se, por alguma razão desconhecida, minha alma habitasse dois corpos que, quando se encontram, colocam o eixo do mundo no lugar. Obrigada por descomplicar minha existência e me explicar que existir é importante, que o amor é importante.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O mundo é mesmo um lugar injusto, passei tanto tempo esperando que os problemas e obstáculos do meu caminho de afastassem para que teus olhos mais lindos do mundo pudessem, finalmente, refletir os meus. Fiz planos, rompi barreiras, desarmei os inimigos e fiz das tripas coração para te manter vivo, te manter meu. E quando a tempestade passou e o céu se abriu sobre nossas cabeças o mais formoso arco-íris abençoou nosso amor, e todos os momentos em que fui feliz misturaram-se com o perfume dos teus beijos. Não houveram mais pesadelos que ameaçassem meu sono, pois todas as noites eu ouvia de ti "sonhe coisas boas", como uma mensagem subliminar dizendo "acalme seu coração, amanhã estarei aqui". As coisas ficaram ruins outra vez, mas agora é diferente, pois o baobá que plantaste em mim está mais firme, forte, nutrido e promissor do que nunca. Ainda que a decisão mais difícil da minha vida assombre meus pensamentos a cada segundo do meu dia, não há nada que me faça abrir mão do teu cheirinho de sono todas as manhãs. Não existe dor nesse mundo que o teu abraço não cure, que a tua praticidade não resolva. Trabalhaste em mim a menina mimada e insegura que queria mandar o mundo para o inferno só para atender aos próprios caprichos. Te esperando me ensinaste a ter paciência com a vida e na simplicidade das tuas escolhas mataste meu ego, despindo-me de pudor. Todos os dias eu penso que á muito percebi que sou eu quem não vai te deixar fazer nenhuma burrada nessa vida e que o equilíbrio do meu ser é Bento, como um cristal. Nós seremos felizes, por isso vem,conversemos através da alma, revelemos um para o outro o que é secreto aos olhos e ouvidos, sem mostrar os dentes sorri pra mim, como um botão de rosa. Olha nos meus olhos que eu digo que te amo, sem que ouças o som da minha voz.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Mais uma vez me pego sentada em posição de dama, com as pernas cruzadas e as víceras em profana confusão. Tu sentavas logo mais na minha frente e as minhas mãos formigavam incessantemente, lembrando do cheiro maravilhoso que a tua pele tem, um cheiro próprio, mistura de tabaco, marijuana e suor. E nos momento em que te observo, penso que encheria meu quarto e o teu se fosse sólido o que eu sinto, e é nessas horas que, desejando dar um murro na minha própria cara, divirto-me com a possibilidade de ir pro inferno por sua causa. A realidade do presente é um latifúndio cruel e enlouquecedor, foi a partir dele que descobri que o presente é só o momento em que passado e futuro se beijam e então seguimos para algum lugar. Mas com calma percebo que a estação já vai mudar, levando algumas coisas e trazendo outras tantas para dentro de nós. Tu sabes, a desordem é tenaz, tantos laços, tantas amarras, os controles e pretensões, nada adianta se o vento não soprar. Tenho todas as armas de que preciso para me defender dos possíveis machucados que estes teus olhos verdes possam me causar, mas lamento a incompetência da minha força de vontade, que transforma todos os meus anseios em desejos masoquistas toda vez em que vais embora dizendo que és o cara que não vai me dar nada, sendo que já me destes coisas a ponto de me transbordar. Te desvendo um pouco mais a cada segundo que passa e quanto mais passa, mais percebo que não cheguei nem mesmo na metade do caminho e a tua ausência tem gosto de preto e branco, me engole e mastiga em todas as despedidas. Um arrepio na nuca e eu queria cristalizar o momento de todos os nossos beijos, que sempre tem um quê ofegante de primeira vez, mas estou em alta velocidade e não sei se devo ir adiante, só que não tenho opção. Acho que é isso, eu tinha opção e optei pelo fascínio do errado, não consigo mais parar esse trem.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Como as borboletas

Quando eu tinha oito anos ouvi falar que as mulheres eram iguais ás borboletas e fiquei me perguntando o sentido daquela comparação. Passei anos sempre perguntando para qualquer adulto que fosse o que, afinal, tinham a ver as mulheres e as borboletas. Sempre me respondiam que eu era pequena demais, que quando crescesse entenderia. Cresci observando cada par de asas coloridas ou lisas, luminosas, cheias de desenhos, cores e texturas e percebi que muito tinham a ver com as tantas saias rodadas que eram moda naquela época, de tecidos leves e esvoaçantes. Observei a delicadeza que elas tinham ao voar lentamente ao redor das pessoas e das árvores e também reparei o quanto se assemelhavam aos movimentos femininos, sempre cuidadosos, medidos e delicados. Cresci me comparando ás borboletas, com elas no ar ou no estômago, eu estava sempre ali analisando. Passei por um milhão de transformações por dentro e por fora de mim constantemente, transmutei-me em tantas coisas que por vezes nem me reconheci mais. Ser borboleta é mais difícil que ser gente, porque as borboletas vivem livres e nunca erram. E depois de milhares de cabelos, unhas, roupas e frios no estômago, despi todos os meus personagens e descobri, finalmente, quem eu era. Aprendi, por fim, o significado daquele provérbio. Aos dezoito anos eu entendi uma coisa que muita gente despreza: que é da larva feia que nasce a borboleta linda. Toda mulher é linda, toda mulher merece o mundo aos seus pés quando acorda de manhã. Feliz dia Internacional da Mulher. Um mais que especial pra minha mãe, linda! Te amo♥

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Agridoce.

Tenho estado num eterno fim de tarde, quando é cedo para sair pra dançar e tarde para curtir o sol. Percebo-me estranha nesse exato momento, porque apesar de desacreditar em tudo ao meu redor, ainda sonho alguns sonhos bons. Não sei se algum dia estarei pronta para viver um relacionamento outra vez, mas é exatamente no momento em que se tem todas as armas prontas para atirar que o gatilho não funciona. São centenas de milhares de mágoas e feridas guardadas em caixas e gavetas dentro de mim, separadas de todas as coisas boas que já fiz e vivi na vida, mas é tudo tão diferente... A felicidade é bastante egoísta, se você for analisar friamente. Quando ela te agracia, destrói o amor de outra pessoa sempre, independente de quem seja. Não há como sermos todos felizes. E o mundo continua nessa batalha incessante por algum feixe de luz no fim do túnel, numa corrida alucinada por qualquer coisa que faça seus corações vibrarem e por isso saem atropelando a tudo e a todos. No meio dessa escuridão tão clara e tão absolutamente visível encontrei boas pessoas e viví bons momentos, porém nada que fosse duradouro e concreto. Viver de sonhos é bastante cansativo, afinal. Depois de fantasiar mil e uma noites com alguém, você acorda e vê que tudo não passa de possibilidades, coisas que talvez nunca aconteçam. Quantas vezes vou me apaixonar e desapaixonar na vida? Quando alguém, realmente, vai me transbordar? Cada um é diferente na sua essência e é isso que complica tanto a relação entre seres humanos. Já me peguei diversas vezes criando possibilidades com um certo par de olhos verdes e tantas outras me perguntei "por que, Deus, por que não deu certo com aquele basilisco?!". Ninguém sabe, afinal, de onde viemos, pra onde vamos ou mesmo qual é o nosso propósito nesse lugar, mas eu sei que somos muito pequenos diante de tudo que somos capazes de sentir. O amor é uma monstruosidade que acontece uma ou pouquíssimas vezes na vida e, apesar de minha pouca idade, sei que já amei alguém e sei o quanto isso é destrutivo. Amar é abrir mão, é dispor-se a muitas coisas sem querer nada em troca e disso eu morro de medo todos os dias. Não, eu não quero amar de novo, muito obrigada, já alcancei meu limite de cicatrizes por essa encarnação e pela próxima. Mas não hei de ficar sozinha pra sempre. A questão final de tudo é o modo como lidamos conosco e com os outros. Sempre seremos feridos, estraçalhados e atirados na salmora, mas será que isso é para a vida toda? Passo noites em claro pensando na solidão que me rodeia e ainda assim não encontro nenhuma solução para o mundo de problemas que carrego nas minhas costas. Eu sei que lá no fundo, há tanta beleza no mundo (!), eu só queria enxergar. Gostaria muito de me ver de fora, observar todos os meus movimentos e descobrir de uma vez por todas o que há de errado comigo e com meu coração que tem a mania de ser mais volúvel e bipolar do que três geminianas juntas. Talvez eu seja, enfim, o problema e não haja nenhuma solução plausível para meu destempero emocional eterno, mas o que não me deixa perder as esperanças é que eu já consegui uma vez e, sendo assim, posso conseguir de novo. A diferença é que quando se tem quinze anos e alguém diz que te ama, você acredita. Por mais maravilhoso que seja, tudo tem seu prazo de validade. Eu gostaria muito de vir aqui e dizer que, sim, vou namorar, casar e ter um batalhão de filhos, mas isso será plenamente impossível até o momento em que acontecer de novo: até eu olhar pra alguém que possa ser meu e sentir as mãos formigando, os olhos enchendo d'água, minhas borboletas do estômago ressucitando e, enfim, começaremos tudo outra vez...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Trance(nder)

São centenas de milhares de sentimentos, flash's de luz, sorrisos misturados a batidas, música dentro do seu coração. É a legítima sensação de não existir amanhã, de não importar o depois, de não suportar a ideia de que aquilo um dia vai ter fim. São seus pés imundos e descalços dos sapatos que cansaram de dançar, são pessoas batendo seus pés e mãos na terra como em um ritual de harmonia, respeito e renovação da alma. Há não muito tempo eu descobri um lugar mágico, um lugar onde tudo é real, desde a vista até as pessoas. Nesse lugar a natureza impera e o sol é o astro rei, aplaudido em pé por milhares de pessoas reunidas com um só intuito: transcender. Nesse lugar pouco importa se você tem ou não dinheiro, casa, carro ou bens materiais, não importa sua cor ou credo, desde que você também esteja lá, cedendo sua energia para que se misture com as outras e forme a atmosfera de luz que se cria em torno da pista. Depois de frequentar esse lugar tão especial algumas vezes, descobri que o mal jamais chega até lá, que as pessoas só emanam bons sentimentos e que é proibido o desrespeito, seja com uma pessoa, com um animal ou com uma planta. A música não requer instrumentos, muito menos banda. Basta um homem, aquele que nos controlará como marionetes por pouco mais, pouco menos de uma hora. Aquela pessoa está ali se dispondo a ajudar a todos os outros na sua jornada pelo mundo da lisergia e ele sabe que é responsável por cada vibração boa ou ruim que sair de seus beats. Mas esse lugar de paz, amor, harmonia e respeito vem sendo invadido e condenado pela mídia preconceituosa do nosso país. Somos julgados pelo nosso modo de vestir, de dançar, pela nossa música e pela nossa cultura que não faz nem nunca fez mal nenhum á ninguém. Somos seres de luz, que aprenderam a se libertar desse materialismo insustentável que vem tomando conta do nosso planeta. Apenas queremos um lugar bonito e preservado, longe da selva de pedra diária para que possamos descarregar nossas energias pesadas na grama, para que elas sejam filtradas e voltem á nós transformadas em amor! Enquanto bêbados saem ao volante, maníacos mutilam crianças e milhares de pessoas morrem de fome todos os dias, nosso governo e nossas redes sociais estão mais preocupados em condenar um grupo de pessoas que ouve um som tribal e dança descalço. Brasil, você não era um país de todos? "E aqueles que foram vistos dançando foram julgados loucos pelos que não podiam ouvir a música."

domingo, 2 de outubro de 2011

Mas

De algum tempo pra cá todos os meus conceitos a respeito dos homens mudaram muito, mas talvez eu tenha me enganado em algumas coisas. Depois de enfrentar anos de coração açoitado, achei que mudando de tipo masculino, tudo iria se resolver, mas não resolveu. Sim, estou bem mais feliz, não sou traída, ouço piadas inteligentes ao invés das besteiras habituais...mas. Sempre tem um "mas" que vem para o desespero das mulheres. "Mas" quer dizer que todo homem perfeito, vem com defeitos. No meu caso, encontrei um cara bonito, interessante, inteligente, talentoso e promissor; que não me trai, que não fala besteiras o tempo todo nem olha para a primeira sirigaita que aparecer na sua frente. Mas junto com toda a sua maturidade e seriedade, vem um homem quieto, tímido, não muito carinhoso, que não gosta de demonstrações públicas de afeto e que prefere o máximo de discrição quando o assunto são seus relacionamentos. Como lidar? Na minha condição de adolescente, geminiana e romântica inveterada, o mínimo que exijo é andar de mãos dadas, ter ao menos uma foto em alguma rede social e poder demonstrar meu afeto em qualquer lugar, mesmo que moderadamente. Mas como se é romântico com alguém que não consegue corresponder? De nada me adianta morrer de amores, dedicar músicas, escrever palavras bonitas e encher a vida dele de flores, se não receberei nem um botão de flor de volta. Ás vezes passo horas pensando em algum plano infalível para que você demonstre que notou que eu cheguei, que diga alguma vez na vida o quanto estou bonita e me dê a mão, mesmo na frente dos seus amigos. Eu sinto falta de não ser tratada só como amiga quando estamos em público, eu não tenho o menor problema em demonstrar que estou apaixonada. Mas dá pra se pensar que cada um encara de um jeito e que o seu modo de sentir algo é completamente interno. Não estou acostumada a me esconder, não me importo que os outros saibam e desfrutem da minha felicidade. Desde pequena fui tratada como princesa e agora não sou mais o centro das atenções. Não sei disfarçar o brilho dos meus olhos quando estamos juntos, é uma atmosfera, uma aura de luz que me possui. Acho que não nasci para ser discreta e introspectiva, sou um turbilhão de mil e uma emoções e sofro em ter que me conter. Talvez o que eu quero seja demais para sua personalidade forte, difícil e séria, mas ainda assim estarei tentando, de algum modo, te fazer feliz e ser feliz também. Somos elementos contrários de forças diferentes e não conviveremos nunca em harmonia, o que me deixa profundamente animada, afinal de contas, seja frio ou quente, mas se for morno eu te vomito.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Essa noite eu tive insônia.


Três horas ociosa na escuridão da madrugada e no conforto da minha cama deram-me muitas conclusões a meu respeito e a respeito do meu respeito.
Pensei que penso demais, procuro, analiso e tiro minhas próprias conclusões, que de verdadeiras só tem a vontade, mas ajudam-me a enganar a curiosidade que tenho enquanto não crio coragem de perguntar.
E assim me enganando, mentindo descaradamente a mim mesma é que percebo-me mudando novamente, outra fase, outra vida, outra mulher nascendo porque quer ser escolhida.
Pensava eu com meus botões naquela madrugada que geminiana gosta mesmo é de ser mudada, transformada. Que se for pra me apaixonar que não seja por alguém que ame tudo em mim, que concorde com todas as minhas loucuras, que me ache linda, maravilhosa e perfeita.
Eu quero um cara que me pegue do braço e brigue comigo quando estiver prestes a surtar, que tenha opinião própria, cérebro no lugar de músculos. Alguém que me ache bonita, mas entenda minhas celulites e unhas por fazer.
Gostaria de um rapaz que não fosse escandalosamente bonito, que não faça academia, que não me olhe como um pedaço de carne e nem diga que fico melhor de salto alto.
Eu quero alguém que me veja de pés descalços, cara lavada e cabelo por fazer e ainda assim me ache linda. Que concorde que meus olhos grandes substituem a bunda grande que eu não tenho, alguém que fique (só) comigo, que ande de mãos dadas e me apresente aos seus amigos.
Eu quero a sorte de um amor tranquilo, com acampamentos nos finais de semana, festivais pelo mundo e alguns pratos vegetarianos. Eu quero parar de tomar refrigerante, quero passar horas e horas vendo-o fazer o que gosta eu quero beijos na testa e calças de moletom com cartucheira.
Quero a plenitude de um pôr-do-sol visto da grama, debaixo de uma árvore, num abraço quentinho de fim de tarde. Eu quero alguém que me mostre verdades que eu não conheço através dos próprios olhos e que reproduza em ondas sonoras as batidas do meu coração.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

As divas também dizem adeus.


(23/07/2011)
Nos deixa hoje uma das maiores artistas de todos os tempos. Amy Winehouse, com sua aura tão dramática e ao mesmo tempo tão absolutamente rica de talento, deixou-se bater á porta da morte.
Não há substitutos á altura do talento, expressão e verdade que transmitem sua músicas, cantadas por uma alma despida de pudor. O que para muitos era apenas uma estratégia de marketing tornou-se o pior inimigo da maior estrela da cena musical dos ultimos tempos.
O personagem Amy, tantas vezes parodiado maldosamente finalmente confirmou-se como seu "eu" real. A criatura mata o criador e dilacera nossos corações tão sedentos por alguma verdade musical que é quase impossível de se encontrar nos dias atuais.
Amy Winehouse era a única cantora com menos de trinta anos que pode ser comparada á ícones como Janis Joplin (minha heroína). E, sinceramente, não acredito que haja outra ainda neste século.
Em uma indústria descartável como a da musica, nossa diva se provou sólida e impecável ao lançar "Back to Black" e adquirir cinco EMI's, o Oscar musical.
O vozeirão que saía do franzino corpo de Amy se calou, emudecento de susto um planeta inteiro que a conhecia inteira, pura, real e despida de caricaturas.
Não tenho palavras para expressar meu pezar por essa perda tão dolorosa, que abre um buraco na cena musical mundial, um vazio que significa que jamais teremos notícias da nossa pequena e brilhante escabelada.
Amy Winehouse marcou muito a minha vida e tenho certeza que a de muitas outras pessoas também. Ela me deu um presente inesquecívelmente gratificante: a possibilidade de poder retribuir a cultura e riqueza musical que recebi de meus pais com nomes como Beatles, Janis Joplin, Bob Dylan e Rolling Stones.
Jamais pensei que haveria, na minha geraçãom algum artista que eu pudesse orgulhosamente apresentar a meus pais e Amy me provou que era a única.
Nos deixa a herança mais valiosa que podia: dois álbuns repletos de canções irretocáveis e tão absolutamente auto-biográficas que permitirão ás próximas gerações conhece-la tão bem quanto a nossa.
É com lágrimas nos olhos e um nó na garganta que anuncio que nossa pequena diva travessa, "Back to Black".

A cor dos olhos.


Hoje eu acordei inteira. Sem meios termos, sem muletas ou cadeiras de rodas, sem falsos apoios, não precisando me escorar em nada para sobreviver. Hoje sou toda minha e me basto, me fortifico, sou-me suficiente e já bastante acompanhada de mim mesma.
Queimei meus medos e fraquezas e, mais uma vez, renasci forte, capaz, destemida. Não sinto-me mais só, porque tenho a mim, não necessito de compania porque percebo-me geminiana, doble face, uma faz compania a outra sem entrarem em conflito dentro de mim, sem brigas, apenas complementos.
Deixei muitas coisas para trás desde ontem, o dia "D" para mais uma decepção que passei e que por menor e mais desimportante que tenha sido, feriu meu orgulho feminino como a gilettejamento da noite.
Nada que vá deixar danos permanentes, apenas alguns arranhões em meu ego, um tropeção momentâneo.
Hoje me recebo de braços abertos, com um buquê de flores na mão, voltei á sanidade. Meus dias de retiro espiritual forçado me ensinaram a ver beleza quase á força, em quase tudo.
Tive altos e baixos dignos dos romances que quero escrever algum dia. Eu quease morri, quase perdi entes queridos, quase enlouqueci, quase me apaixonei por outro canalha. Graças ao meu santo - que se prova mais forte a cada dia - nenhuma das minhas tentativas se realizou. E tudo isso só me ensinou boas lições. Aprendi que o passado segue em frente, mesmo que venha me assombrar as vezes; aprendi que amor de verdade é aquele que permanece independente de tudo e que por melhor e mais maravilhosa que uma pessoa seja, podemos ama-la sem se apaixonar por ela.
Aprendi que o caminho até o castelo do principe é um imenso brejo com infinitos sapos á nossa disposição, mas temos que aprender a escolher por quem vale á pena se arriscar.
Ouvi bons conselhos de boas e más pessoas que são e sempre serão a imagem escarrada do "nada é tão ruim que não possa piorar" e entendi a única regra que deve ser seguida nessa vida: carpe diem.
Hoje vou embora de alma lavada, espirito livre e mente em equilibrio. Sou jovem, interessante e sedenta de conhecimento, renovada e renovante, fecho o ciclo de mais momentos na minha vida sentada na grama, sendo abençoada pelo confortável sol do inverno e frente á contemplação de uma paisagem tão absurdamente linda que só me faz querer dançar.

terça-feira, 5 de julho de 2011


"Eu tenho as armas de que necessito para me defender, e mesmo que eu perca, eu ganho, já perdi algumas vezes e sei como funciona a lei das compensações. Quero acolher com generosidade o que em mim se manifesta de forma incorreta. Não vou pedir permissão aos outros para desenvolver a mim mesma, mando no meu corpo e em tudo o que ele confina, coração incluído, consciência incluída. Talvez eu esteja com receio de ter ido longe demais desta vez e esteja preparando a minha defesa, caso alguma coisa não saia como esperado. O que eu espero? Não espero nada, espero tudo, estou à deriva nessa aventura. Eu queria cristalizar esse momento da minha vida, mas estou em alta velocidade, e não sei se quero ir adiante, só que eu não tenho opção. Acho que é isso. Eu tinha opções, agora não tenho. Não consigo parar esse trem."



(Martha Medeiros)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Obrigada, Bozolândia.


Esse não é um texto de aniversário e sim um texto de agradecimento.

Um post é pouquíssimo para tentar recompensar tudo o que eu ganhei e vivi no dia dos meus 18 anos. Conheci um lugar onde todas as pessoas são gentis, felizes e acolhedoras. Encontrei gente que sorriu e me ofereceu tudo o que tinha, mesmo sem nunca ter me visto antes.
Assisti cenas inéditas da mais pura demonstração de afeto e preocupação entre amigos.
Na rave, ninguém se preocupa com o modo que você se veste, ri ou fala, só se preocupam se você está bem, feliz e em paz.
O frio abaixo de zero foi barrado pelo calor humano que abrangia a atmosfera da festa. Quase não ganhei coisas materiais ou que custassem muito dinheiro nesse aniversário, mas ganhei tudo de mais valorozo, precioso e importante que poderia. Um sorriso sincero de alguém que acabou de conhecer, um abraço apertado da pessoa que tem para si um terço do seu coração, a preocupação, gentileza, carinho e dedicação de alguém que nunca havia lhe visto, um presente inesperado de alguém que nem sabe seu nome.
São gestos irretocáveis da mais pura gentileza, vindos de pessoas que são julgadas e condenadas pela sociedade por terem escolhido expandir sua luz interior também para o plano carnal.
Esse aniversário me presenteou com valores morais que jamais havia pensado em dedicar-me.

O companheirismo da Lu, a proteção da Ju, a criança interior do JP, o som tribal do Bruno, o sorriso da Lari, os comentários do Luís, o abraço apertado do Fernandinho, andar de mãozinha com o James, a generosidade do Maninho, a compania do Geri, a atenção, gentileza e criatividade do Dudu e a todos e cada um (inclusive os pelados, que me fizeram entender que preconceito não está com nada) eu agradeço do fundo do meu coração. Vocês fizeram deste, o melhor aniversário da minha vida.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Brasil de [des]respeito.


Antes de começar o post, quero me desculpar por qualquer ofensa que possa causar.

Recentemente o cantor (se é que pode ser chamado de música o que ele emite) Flo Rida gravou o clipe da música "Turn Around" na cidade do Rio de Janeiro. Sinceramente, é difícil expressar o que eu senti ao ver tamanha barbaridade, mas posso garantir que é uma mistura de raiva, indignação, náusea e ódio. Nesse video são mostradas várias mulheres em biquinis quase inexistentes, posições humilhantes e cenas vulgares enquanto o dito "cantor" difere frases como "5, 4, 3, 2, 1 gotta make that booty go" (tem que rodar essa bunda). E faz menções sexuais com suas dançarinas.
O que mais me revolta são essas moças, tão jovens, que se propuseram a gravar este absurdo por uma quantidade insignificante de dólares e uma oportunidade, mesmo que depreciativa, de aparecer na televisão.
Além das cenas, na letra desta música podemos notar que Flo Rida trata de nossas mulheres como prostitutas, mandando-as "pegar a grana e fazer o show".
Como queremos algum respeito lá fora com essas imagens rodando o mundo? Não é atoa que muitas de nossas brasileiras sejam humilhadas, desrespeitadas e mal vistas no exterior, mesmo que estejam apenas estudando ou trabalhando.
São barbaridades como essa que fazem a imagem que todo gringo tem do Brasil: prostíbulo.
Somos possuídores de praias lindas, paisagens explendidas, mata intocada e vistas irretocáveis e ainda assim tudo o que mostram de nosso país é um monte de bundas rebolando e fingindo sexo com uma parede.
Me entristece ver a pobreza de moral que existe em nosso país e a forma como algumas pessoas, possuídas pela certeza de que seu dinheiro e sua fama compram qualquer coisa, se aproveitam disso para acabar ainda mais com o pouco respeito que nos tinham.

Como queremos ter algum crédito no exterior se nem mesmo nossas mulheres, conhecidas por serem não só bonitas, mas guerreiras, dedicadas e batalhadoras não se dão ao devido respeito e expõem nosso país dessa forma?
Não importa se você é brasileiro, estrangeiro, Flo Rida ou o diabo a quatro, o mínimo que deve ter, como ser humano, é respeito pelo próximo, independente de sexo, cor, raça ou nacionalidade.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Psytrance e Espitirualidade


As primeiras civilizações humanas eram organizadas em tribos que habitavam aldeias. De tempos em tempos realizavam rituais para reverenciarem seus Deuses, a lua e o sol, e se conectar as forças da NATUREZA, agradecendo as dádivas que a MÃE TERRA lhes proporcionava.

Nesses rituais tribais, passavam dias celebrando através das artes e da dança. O som repetitivo dos tambores agia como uma espécie de mantra, provocando um estado de transe e expansão de consciência. Levava seus participantes ao encontro do EU VERDADEIRO, através de meditação espontânea. Em algumas tribos eram utilizadas ervas alucinógenas para aumentar as percepções sensoriais. Toda essa atmosfera criada emitia uma freqüência vibracionária elevada, como se o coração de GAIA pulsasse em direção aos confins do UNIVERSO, que respondia com a manifestação de uma FORÇA DIVINA SUPREMA, gerando a clara sensação de UNICIDADE.

Com o passar do tempo, as pequenas aldeias se transformaram em cidades. A figura do Xamã, que era o líder na escala hierárquica das aldeias, foi substituída pelas autoridades políticas, civis, religiosas e econômicas. Os homens passaram a organizar-se em sociedades, guiados por suas autoridades, como um rebanho de ovelhas por um pastor. O modo de vida das pessoas passou a ser padronizado, e a ligação com o COSMOS diminuiu gradativamente. A MÃE TERRA deixou de ser reverenciada. O homem passou a agredi-la de forma progressiva, agindo como um vírus que deteriora o organismo no qual se instala.

Vale ressaltar que ainda em tempos modernos, podemos encontrar tribos que vivem como as primeiras civilizações, e fazem seus rituais de celebração. Mas se encontram em lugares remotos, vivendo num mundo totalmente a parte, sorte deles.

Durante séculos os rituais de celebração e ligação com as forças da NATUREZA mantiveram-se adormecidos. Até que no final da década de 80 surge em GOA, na Índia, um movimento psicodélico influenciado pelo princípio da música eletrônica.

Goa era um estado independente da Índia, caracterizado pela liberdade, tolerância religiosa e diversidade cultural e por isso tornou-se um ponto de encontro internacional para “new agers”, místicos, anarquistas, traficantes de drogas, filósofos e pessoas interessadas em espiritualidade. Mochileiros europeus e americanos que buscavam fugir do inverno rigoroso e da busca por uma posição no sistema ocidental estabelecido, encontraram em Goa seu porto seguro.

Inicialmente, as festas na praia eram movidas pelo rock psicodélico e pelo reggae, com decorações da mitologia indiana e cores fluorescentes. Entre 1987 e 1988 a música eletrônica foi inserida no cenário, encontrando certa oposição inicial, mas logo a faísca pegou fogo e passou a fazer parte da cena de Goa. As primeiras Raves surgiram em Hamburgo, na Alemanha, marcando o reencontro dos mochileiros de Goa em solo europeu, e assim passaram a acontecer periodicamente por toda Europa e posteriormente espalharam-se pelo mundo.

A partir daí, os seres humanos em maior conexão com a NATUREZA resgataram os rituais de celebração contextualizando-os e adaptando-os ao mundo pós-moderno através dos FESTIVAIS DE TRANCE. A expansão de consciência outrora alcançada com maior facilidade através de ervas alucinógenas passou a ser atingida pelo uso de substâncias sintéticas tal como o Ácido Lisérgico Dietilamida e o MDMA. A batida repetitiva dos tambores foi captada pelos sintetizadores eletrônicos e misturada a mantras orientais e sons psicodélicos, criando um estilo musical conhecido inicialmente por GOA TRANCE e posteriormente por PSYTRANCE que acabou englobando o estilo anterior como uma de suas vertentes.

O fogo sagrado aceso por nossos ancestrais foi redescoberto, e em tempos de despertar de consciência a aldeia global reaprendeu a reverenciar a sagrada MÃE TERRA. “Somos todos irmãos, filhos da Terra. Este é o momento de celebrarmos a vida com PAZ, AMOR, UNIÃO e RESPEITO.”

Texto escrito por meu grande amigo João Iserhard, o ser mais evoluído espiritualmente que já conheci.